José Marcelo Neves dos Santos. Esse é o nome do 20º morto por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) durante a Operação Verão, no bairro Alemoa, em Santos, no litoral de São Paulo.
Ao g1, a irmã informou que o rapaz, de 32 anos, era comerciante e não tinha envolvimento com crime. Ainda segundo ela, ele teria sido torturado, tendo as tatuagens arrancadas do corpo.
Quando foi morto, na noite de domingo (11), a identidade do homem não havia sido revelada. Na ocasião, com base no depoimento dos policiais que participaram da ação, José Marcelo teria desacatado uma ordem de parada, largado a bicicleta em que estava e atirado duas vezes contra os PMs, que revidaram e o acertaram com dois disparos.
A versão da família é outra. A irmã Mayara dos Santos garantiu que José não tinha arma e saiu de casa para comprar gasolina. De acordo com ela, testemunhas contaram ter visto a abordagem policial e escutado as respostas aos agentes e os disparos.
Segundo Mayara, não houve confronto e o homem foi baleado após responder que tinha passagem criminal. Além disso, a família acredita que ele sofreu mais do que disparos, pois o corpo de José Marcelo tinha muitas marcas.
“Meu irmão estava todo machucado, espancado e esfaqueado. Arrancaram tatuagem dele do braço e da perna”, afirmou a jovem, com base no relato da cunhada, que fez o reconhecimento do corpo no Instituto Médico Legal (IML).
“Sei que uma das tatuagens que arrancadas era o desenho de um palhaço. Para eles (policiais), tatuagem de palhaço é matador de policial, mas meu irmão nunca matou ninguém”, disse.
De acordo com ela, os familiares vão procurar a Ouvidoria da Polícia Militar para reivindicar por investigação, pois basta ver os ferimentos no corpo de José para comprovar que não batem com os depoimentos prestados pelos policiais da Rota, que foram registrados em BO.
“Houve muito mais. [Teve] tortura. O tiro na boca do meu irmão foi super perto. Não tem como um tiro de longe [em tiroteio] fazer tanto estrago como fez”, contou.








