Medida terá que cobrar fatura dos proprietários de imóveis e empresários de Campos-RJ, a turma que mais lucrou com a fartura de royalties;
Da redação
Com queda de arrecadação e gastos no teto, o prefeito da cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, Rafael Diniz (PPS), terá que aumentar a carga tributária, sobretudo, o valor do IPTU para o exercício financeiro de 2018.
Será uma oportunidade para implantação do IPTU progressivo, porque é chegada a hora de cobrar a cota de contribuição do andar de cima para enfrentar a crise financeira. Nesta cidade, indistintamente, a sociedade local se fartou de forma direta ou indireta de recursos dos royalties ao longo de duas décadas. Estima-se que o ativo imobiliário no município chegue a R$ 12 bilhões. Metade disso pertence aos 10% mais endinheirados. É um capital meramente especulativo.
As últimas duas décadas foram tempos de tanta fartura, que as empresas e organizações locais se tornaram paraestatais, sobrevivendo à base do fluxo de renda gerado pela Prefeitura. O município, por outro lado, desprezou completamente a máquina de arrecadação própria. Deu-se por satisfeita com o petrorrentismo.
A conta chegou. Campos dos Goytacazes é uma cidade literalmente falida, que dificilmente honrará o pagamento do 13º salário dos seus servidores. Deve começar 2018 com restos a pagar estimados em R$ 450 milhões.
DEVE E NÃO GOSTA DE PAGAR
O empresariado é segmento viciado, que não gosta de pagar impostos. Toda vez que o governo aperta, sai gente gritando que é terrorismo fiscal. Só que em Campos não haverá outro caminho. A Prefeitura já está estudando a elaboração de ajustes no código tributário. A turma de bacana, no entanto, já mandou recado que não topa pagar a conta.
Nos recentes encontros na sede local da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN/NF) e na Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), essa pequena burguesia rangeu os dentes.
“Fizemos várias rodadas de negociação com a equipe do prefeito Rafael Diniz. Reconhecemos as dificuldades do governo, mas também é preciso entender que os empresários e os trabalhadores não conseguem pagar mais impostos”, disse o presidente da CDL, Joílson Barcelos em uma das reuniões.
Joilson Barcelos é proprietário do Superbom, uma das maiores redes de supermercados da cidade. Não verteu uma lágrima pelo corte de programas sociais, como Cheque Cidadão e Restaurante Popular, mas agora que a dor se aproxima do seu bolso, está falando em nome do povo. Diante da palavra povo, vem a pergunta que não cala: qual povo, cara pálida? O povo pobre de Campos já isento do pagamento de imposto.
*Agência VIU!








