O advento das mídias digitais e a crise econômica mataram os jornais diários nas cidades do Norte Fluminense.
Em Campos e Macaé, duas das maiores cidades da região, jornais impressos deixaram de ser diários para adotar circulação semanal ou até mesmo findar as versões impressas.
A decadência, é bom lembrar, começou antes da pandemia do novo coronavírus, quando o poder público, maior fonte de financiamento deste modelo de negócios nas cidades do interior reduziu o investimento em publicidade.
Os tempos em que a verba pública fluía para os cofres dessas empresas findaram-se junto com o ciclo dos royalties do petróleo. A crise chegou sem que os empresários do ramo investissem em novas tecnologias e mudanças de paradigmas. A maior parte optou pela cultura patrimonialista.
Realizou inversão de capitais em imóveis e comércio, dois setores que também foram tragados pela pandemia.
Mas não são apenas os jornais que estão em declínio. A crise também afeta rádios e emissoras de TVs.
REVOLUÇÃO DIGITAL
Um dos fatores que destronou a mídia tradicional foi a velocidade da mídia digital e o seu poder de interação com o público.
Com o compartilhamento de informações nas redes sociais, as notícias divulgadas pelos jornais impressos deixaram de ser inéditas para o público que agora consome o noticiário em portais de notícias, plataformas como Instagram, Facebook e grupos de Whatsapp.
Existe também uma cultura gerencial perversa, atrelada ao imediatismo e amadorismo. Isso se observa no modelo de gestão de cinco jornais de Campos (RJ) que fecharam as portas ou que reduziram a circulação.
São pequenas empresas tocadas por famílias, que focam a cobertura editorial em temas mais destinados em agradar círculos de amizades do que propriamente conquistar leitura. São jornais que vivem ou viveram muito mais do mito do que propriamente da circulação efetiva, porque sempre tiveram tiragens reduzidas.
CONCORRÊNCIA PESADA
Na década de 80 e 90, Campos tinha cerca de cinco jornais matutinos e seis rádios AM. Na época, o rádio tinha tanta força como veículo de massa, que dos microfones de emissora AM emergiu Anthony Garotinho, um jovem se elegeu deputado, virou prefeito e depois governador do Estado.
A partir daí a classe política local passou a acreditar que o rádio era a trilha mais fácil para conquistar um mandato.
Políticos tomaram conta dos horários das emissoras, locando horários. A audiência despencou, o mercado local continuou avesso à publicidade e o atual momento é trágico. Tem emissoras fechando no vermelho.
As transformações do mercado atingiram também o ensino voltado para o ramo de comunicação. A antiga Faculdade de Filosofia de Campos (Fafic), que por muitos anos formou vários profissionais na área de jornalismo e publicidade enfrenta um esvaziamento no curso.
No curso de comunicação social, a instituição mantinha a habilitação em Publicidade e Relações Públicas, hoje só conta com jornalismo.
O prédio da faculdade foi incorporado pela Uniflu/Fafic, que também passou a integrar a Faculdade de Direito de Campos e Faculdade de Odontologia.
A cidade convive com um esvaziamento econômico e o mercado publicitário sente esses efeitos, ainda que as emissoras de rádios estejam migrando para FM. Isso elevou a concorrência ao nível insuportável para as empresas.
Atualmente, a cidade com 500 mil habitantes tem um total de 13 emissoras de rádios, contabilizando as AMs, FMs e rádios comunitárias legalizadas, sem contar as emissoras piratas.
No ramo de mídia impressa, os únicos dois jornais sobreviventes, Terceira Via e Folha da Manhã, adotaram circulação semanal.
Em Macaé, o jornal O Debate, que já teve circulação diária, abandonou sua versão impressa. Atualmente mantém apenas uma versão online. Já o jornal Diário mantém circulação semanal, aos sábados, e sua versão online. A cidade tem cinco FMs, sendo que uma é comunitária.








