Lixo nas ruas, servidores em greve, protestos incontroláveis e transportes paralisados; município está diante de um colapso administrativo;
Da redação
Campos dos Goytacazes, a maior cidade do Norte Fluminense, com 494 mil habitantes, se defrontou com um dia de cão. Foram 10 horas de protestos e manifestações que abalaram a planície nesta segunda-feira (4).
Neste intervalo do dia, lixos se amontoaram nas ruas com a greve dos garis, o trânsito na área central ficou paralisado por conta da manifestação de motoristas de transportes coletivos e o Centro Administrativo José Alves de Azevedo, sede da Prefeitura, foi cercado por servidores municipais em greve.
No distrito de Santo Eduardo, Região Norte do Município, na zona rural, moradores fecharam um trecho da BR-101 em protesto contra a precariedade no transporte de passageiros.
Quem olha a distância pode pensar na existência de uma ação orquestrada, mas esse tipo de organização passa longe desses protestos. Foram atos isolados em diferente pontos, mas que coincidiram no mesmo dia.
ONDE ESTÁ O PREFEITO?
As turbulências nas ruas convergiam para um único endereço: a Rua Coronel Ponciano de Azeredo Furtado, onde está localizada a sede da prefeitura e o gabinete do Prefeito Rafael Diniz (PPS), comandante em chefe de uma administração desastrosa.
O coronel que é nome da Rua da Prefeitura, por ironia do destino, é o nome da personagem gabola do romance de José Cândido de Carvalho, escritor nascido na cidade e que está entre os grandes nomes da literatura brasileira.
Ao longo do dia, o Prefeito sumiu. Segundo informações da Prefeitura, ele estaria em Brasília, bem distante das ruas que ardiam com as chamas de pneus queimados.
Mas um de seus secretários, Victor Aquino, que reponde pela pasta de Desenvolvimento Econômico, estava nas redes sociais conclamando o prefeito a partir para o confronto e se declarando eleitor de Jair Bolsonaro (Patriota), o deputado Federal saudosista das torturas da ditadura militar.
Algo sui generis, que faz lembrar a seguinte cena: diante de um prefeito que não recolhe o lixo e foge da população em fúria, chame o militar que bate e arrebenta.
ENTENDA A CRISE
Enquanto isso, o barulho das ruas avançavam. O trânsito foi interrompido por manifestantes na Ponte da Lapa e Beira Valão, duas vias estratégicas.
O que se viu, a partir daí, foram engarrafamentos em várias ruas da área central.
O grito dos manifestantes reflete um drama que promete se prolongar, porque o município está diante da ameaça de colapso administrativo. Há uma crise latente nos serviços de limpeza urbana. A empresa responsável pelos serviços, a Vital Engenharia, não recebe há quatro meses e já demitiu 500 garis.
Com salários atrasados, os trabalhadores cruzaram os braços nos últimos três dias, o que gerou um acúmulo de 20 toneladas de lixo nas ruas. Nesta segunda-feira a empresa e o governo tentavam chegar a um acordo. Na hipótese de entendimento, os serviços devem ser normalizados em três dias.
No setor administrativo, o governo aumentou a carga horária de servidores e cortou alimentação, o que gerou uma intensa insatisfação, principalmente na saúde.
Os rodoviários denunciam atraso nos pagamento de salários, porque a prefeitura não estaria repassando os subsídios referente a passagem social para as empresas.
Passageiros também estão descontentes, porque a passagem social teve reajuste de 100% e o sistema se precarizou.
Enquanto isso, o governo mantém cargos comissionados com altos salários e repasses milionários para a Câmara de Vereadores, cerca de R$ 30 milhões anuais.
Programas sociais, como Cheque Cidadão e Restaurante Popular, foram encerrados sob o argumento de contenção de despesas.
*Agência VIU!








