O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, compareceu neste sábado (7) ao Ministério Público, em Assunção, para prestar esclarecimentos sobre seu possível envolvimento nas irregularidades investigadas após o colapso do banco digital Ueno Bank. O depoimento ocorreu um dia depois de sua destituição pelo Senado e da detenção determinada pelas autoridades paraguaias.
Peña chegou à sede da Procuradoria-Geral acompanhado por policiais. O ex-mandatário é investigado por suspeitas relacionadas à administração de recursos públicos e a possíveis favorecimentos à instituição financeira, que enfrentou uma crise de solvência e teve suas operações interrompidas.
O caso provocou uma das maiores crises políticas recentes do Paraguai, atingindo o governo, a direção do Banco Central e milhões de clientes que mantinham dinheiro no banco.
O ex-presidente nega ter cometido irregularidades. As acusações ainda serão examinadas pela Justiça, e não há condenação definitiva.
Senado destituiu Peña na sexta-feira
A queda de Santiago Peña foi confirmada na sexta-feira (6), quando o Senado paraguaio aprovou sua destituição por mau desempenho das funções presidenciais.
A votação ocorreu em meio às investigações sobre a situação financeira do Ueno Bank e os vínculos entre a instituição e integrantes do governo.
Os 44 senadores presentes votaram pela saída do presidente, encerrando seu mandato antes do prazo previsto.
Pouco depois, o Ministério Público determinou sua detenção. Policiais compareceram à residência de Peña, na capital paraguaia, para cumprir a ordem.
O ex-presidente ficou inicialmente sob custódia em sua casa, antes de ser transferido para instalações militares por razões de segurança.
Com a destituição, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país. Ele deverá concluir o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028.
Investigação apura possível favorecimento ao Ueno Bank
O Ministério Público procura esclarecer se decisões tomadas durante o governo Peña beneficiaram indevidamente o banco digital.
Uma das principais suspeitas envolve a manutenção de recursos de órgãos e empresas públicas na instituição, mesmo diante dos problemas financeiros que levaram à sua intervenção.
Os investigadores também analisam os vínculos anteriores do ex-presidente com o grupo empresarial responsável pelo banco.
Peña foi acionista de uma empresa ligada ao conglomerado financeiro até 2025, circunstância que passou a ser examinada pelas autoridades.
A investigação busca determinar se houve utilização da influência política para favorecer interesses privados ou comprometer recursos públicos. O ex-presidente rejeita as acusações e sustenta que os problemas enfrentados pelo Ueno Bank estão relacionados a questões regulatórias.
As suspeitas deverão ser avaliadas durante o processo, com direito à apresentação de provas e à defesa dos investigados.
Ex-presidente do Banco Central também é investigado
O escândalo atingiu ainda a direção do Banco Central do Paraguai. Carlos Carvallo, que comandava a instituição, deixou o cargo durante a crise e passou a ser investigado por suspeitas relacionadas à supervisão do Ueno Bank.
O Ministério Público também determinou sua detenção. Carvallo havia presidido anteriormente a Financiera Ueno, empresa que deu origem ao banco digital.
As autoridades investigam possíveis irregularidades na fiscalização da instituição e na condução de decisões que antecederam seu colapso.
A apuração também envolve antigos dirigentes do banco e outras pessoas ligadas às operações financeiras investigadas.
Crise deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro
O fechamento do Ueno Bank provocou dificuldades para correntistas e empresas que utilizavam os serviços da instituição.
O banco tinha aproximadamente 2,94 milhões de clientes, segundo informações divulgadas durante a crise. Com a intervenção, recursos depositados na instituição ficaram temporariamente indisponíveis, prejudicando pagamentos, transferências e outras operações.
A situação levou clientes às agências e provocou manifestações em Assunção, com cobranças por explicações e pela devolução dos valores.
O Banco Central do Paraguai iniciou procedimentos relacionados à garantia de depósitos para reduzir os prejuízos dos correntistas.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades financeiras, parte dos clientes já começou a receber valores por meio do mecanismo de proteção aos depositantes.
Apesar disso, a crise continua afetando a confiança no sistema bancário e gerando preocupação entre pessoas que ainda aguardam acesso aos seus recursos.
Novo presidente enfrenta desafio de recuperar a confiança
Pedro Alliana assumiu a Presidência em meio à pressão para estabilizar o sistema financeiro e dar respostas à população.
Além das consequências econômicas da quebra do banco, o novo governo terá de lidar com os desdobramentos das investigações e com o ambiente de instabilidade política.
O caso também colocou em discussão a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização bancária e o controle sobre recursos públicos depositados em instituições financeiras.
A continuidade das investigações poderá ampliar o número de pessoas responsabilizadas, caso sejam identificadas novas irregularidades.
O que pode acontecer com Santiago Peña?
Após comparecer ao Ministério Público neste sábado, Peña permanece sujeito às decisões judiciais sobre sua situação processual.
Os promotores solicitaram a adoção de medidas cautelares, incluindo prisão preventiva, que dependerá de avaliação judicial.
A investigação envolve suspeitas de lesão de confiança e administração em benefício próprio, relacionadas ao possível uso indevido de influência e recursos públicos. O ex-presidente poderá apresentar sua defesa e contestar os elementos reunidos pelos investigadores.
A destituição política e a investigação criminal são procedimentos distintos. A perda do cargo não equivale a uma condenação pelos crimes investigados.
Enquanto a Justiça analisa as acusações, o Paraguai enfrenta as consequências de uma crise bancária que provocou a queda do presidente, atingiu autoridades financeiras e deixou milhões de correntistas em busca de respostas.
*Da Agência Fonte Exclusiva










