Preso pela Polícia Federal na noite deste domingo (16), após publicar vídeo com ofensa ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin e pedidos de fechamento da Corte, o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) tem um histórico perverso como militante radical de extrema direita.
O mandado de prisão foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes.
O parlamentar já foi investigado pela Corte por participação em atos antidemocráticos, que também defendiam o fechamento das instituições democráticas.
Durante a campanha eleitoral de 2018, quando ainda disputava o mandato de deputado federal, ele ficou conhecido por destruir uma placa de rua que homenageava a vereadora Marielle Franco (PSOL).
A vereadora foi executada a tiros, juntamente com o motorista Anderson Gomes, no centro do Rio de Janeiro, em março do mesmo ano. O crime gerou repercussão internacional.
Neste domingo, no entanto, Silveira retomou as agressões, desta vez, por meio de um vídeo, em que defendia agressões contra Fachin e os demais integrantes da Corte.
“Por várias e várias vezes já te imaginei (Fachin) levando uma surra. Quantas vezes eu imaginei você e todos os integrantes dessa corte aí. Quantas vezes eu imaginei você, na rua levando uma surra. O que você vai falar? Que eu tô fomentando a violência? Não, só imaginei. Ainda que eu premeditasse, ainda assim não seria crime, você sabe que não seria crime. Você é um jurista pífio, mas sabe que esse mínimo é previsível. Então qualquer cidadão que conjecturar uma surra bem dada nessa sua cara com um gato morto até ele miar, de preferência após a refeição, não é crime”, disse.
OUTRO LADO
Por meio de nota postada no perfil do parlamentar no Twitter, seus advogados informam que ele passou a noite na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, no centro do Rio.
Os advogados definiram a prisão como um atentado à imunidade material e ao direito à liberdade de expressão. A nota manifesta confiança de que a prisão será revogada por decisão da Câmara Federal com base na imunidade parlamentar.
Bom dia!
Não é uma festa democrática, é uma guerra contra a corrupção. pic.twitter.com/9JVGi83GuM— Daniel Silveira (@danielPMERJ) February 17, 2021
Na mesma postagem da nota no Twitter, o deputado ironiza sua prisão: “Bom dia. Não é uma festa democrática, é uma guerra contra a corrupção”, escreveu.
“Aos esquerdistas que estão comemorando, relaxem, tenho imunidade material. Só vou dormir fora de casa e provar para o Brasil quem são os ministros dessa suprema corte. Ser ‘preso’ sob essas circunstâncias é motivo de orgulho”, disse Silveira após ser detido pela Polícia Federal.
DIÁLOGO ENTRE MORAES E LIRA
De acordo com reportagem do Estadão, após a prisão do deputado, o ministro Alexandre de Moraes entrou em contato com o presidente da Câmara, Arthur Lira, para informar sobre o caso.
“Nesta hora de grande a apreensão, quero tranquilizar a todos a reiterar que irei conduzir o atual episódio com serenidade e consciência de minhas responsabilidades para com a instituição e a democracia”, afirmou o presidente da Câmara.
Na mesma nota ele diz: “Mais do nunca, o Brasil precisa dos seus líderes ponderação, equilíbrio, serenidade e desarmamento de espíritos para que nossa democracia seja poupada de crises artificiais e possa cumprir sua missão mais fundamental: ajudar o povo brasileiro a superar a maior crise sanitária, social e econômica do último século”.








