O governo dos Estados Unidos reforçou nesta sexta-feira (29) o tom de endurecimento contra o crime organizado internacional após a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmar que grupos criminosos atuantes no hemisfério “vão ser eliminados”.
A declaração ocorre na sequência da decisão de Washington de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A fala foi dada em entrevista ao portal Metrópoles e integra o posicionamento da atual administração norte-americana, que tem ampliado o combate a redes criminosas transnacionais sob a classificação de “narcoterrorismo”.
Segundo Roberson, a política do governo não admite a atuação dessas organizações na região nem dentro dos Estados Unidos.
“Esta administração do presidente Donald Trump não tolera a violência, não tolera que os grupos criminosos atuem no nosso hemisfério e no nosso país e eles vão ser eliminados”, afirmou a porta-voz.
A medida anunciada por Washington estabelece que PCC e CV passam a ser formalmente reconhecidos como organizações terroristas a partir de 5 de junho de 2026.
Com isso, passam a valer sanções como bloqueio de bens sob jurisdição norte-americana, restrições de entrada no país e proibição de qualquer tipo de transação financeira com indivíduos ou entidades ligadas às facções.
Além disso, qualquer apoio direto ou indireto aos grupos poderá ser enquadrado como infração sob a legislação dos Estados Unidos, ampliando o alcance das medidas de repressão.
O governo norte-americano afirma ainda que as duas facções fazem parte de um conjunto de 17 organizações criminosas com atuação em diferentes países do hemisfério ocidental, incluindo rotas e operações que ultrapassam fronteiras nacionais.
Apesar da firmeza do discurso, Amanda Roberson negou que a decisão tenha influência de pressões externas e destacou que as políticas de segurança nacional são definidas exclusivamente pela liderança do governo dos EUA.
No Brasil, a decisão gerou preocupação no campo diplomático. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já havia alertado para possíveis impactos jurídicos e políticos desse tipo de enquadramento, especialmente em relação à soberania nacional e ao alcance de legislações estrangeiras em território brasileiro.
O governo brasileiro acompanha os desdobramentos da decisão e avalia os impactos da nova classificação no cenário internacional de combate ao crime organizado.
*Da Agência Fonte Exclusiva








