A possibilidade de retorno do fenômeno climático El Niño tem acendido um sinal de alerta para economistas e autoridades monetárias da América Latina.
Um relatório divulgado pelo Citi Research indica que o evento climático está cada vez mais próximo de se tornar o cenário predominante para 2026, com potencial para pressionar os índices de inflação em diversos países da região.
Segundo a análise, existe aproximadamente 80% de chance de que as condições associadas ao El Niño se desenvolvam durante o terceiro trimestre deste ano. Além disso, a instituição financeira estima uma probabilidade entre 35% e 40% de o fenômeno atingir forte intensidade até o final de 2026.
O estudo avaliou o comportamento de oito economias latino-americanas ao longo de mais de três décadas e concluiu que os efeitos do El Niño tendem a ser mais severos quando coincidem com períodos de inflação já elevada.
Nesse cenário, os impactos sobre os preços podem ser amplificados e gerar desafios adicionais para governos e bancos centrais.
Produção agrícola e energia sob pressão
Entre os principais efeitos esperados está o aumento dos preços dos alimentos, resultado das alterações climáticas que afetam a produtividade agrícola. Secas prolongadas, mudanças nos regimes de chuva e eventos extremos podem comprometer safras importantes e reduzir a oferta de produtos no mercado.
A Colômbia aparece entre os países mais vulneráveis. De acordo com as projeções do Citi, um episódio intenso de El Niño poderia acrescentar até 3,26 pontos percentuais à inflação colombiana em um período de seis meses após o início do fenômeno.
O México também figura entre os mais expostos, com impacto estimado de até 2,48 pontos percentuais na inflação, embora os efeitos devam ocorrer de forma mais gradual.
No Brasil, o relatório aponta riscos para culturas agrícolas estratégicas, como café, açúcar e frutas cítricas. A redução da produção causada pela seca poderia contribuir para um aumento de aproximadamente 1,47 ponto percentual nos índices inflacionários.
Já no Peru, além dos impactos na agricultura, o fenômeno pode afetar significativamente a atividade pesqueira, setor fundamental para a economia local. A estimativa é de um acréscimo de até 1,15 ponto percentual na inflação peruana.
Três fatores principais explicam os riscos
O estudo identifica três canais principais pelos quais o El Niño pode influenciar os preços na América Latina. O primeiro é o encarecimento dos alimentos devido à queda da produção agrícola.
O segundo envolve o aumento dos custos de energia, especialmente em países que dependem fortemente da geração hidrelétrica. O terceiro está relacionado às interrupções em atividades econômicas específicas, como a pesca.
Especialistas destacam que os efeitos do fenômeno costumam surgir de forma gradual e podem levar meses para aparecer nos indicadores econômicos. Por isso, os bancos centrais da região já acompanham atentamente as projeções climáticas.
O relatório ressalta que países como Colômbia e Peru apresentam os maiores níveis de vulnerabilidade e poderão enfrentar desafios adicionais na condução da política monetária. Em cenários mais severos, a pressão inflacionária provocada pelo El Niño pode influenciar decisões sobre juros e medidas de controle da economia.
*Da Agência Fonte Exclusiva








