Com um orçamento milionário, o fundo partidário é uma farra. Mantido com dinheiro do contribuinte para financiar os partidos políticos, ele tem servido para alimentar os cofres de empresas de dirigentes partidários ou de amigos, conforme revela reportagem da Folha de São Paulo.
O jornal paulista realizou um cruzamento de dados das firmas que prestaram serviços remunerados aos partidos ao longo de 2018 e constatou que 294 empresas ligadas aos filiados das legendas foram beneficiados com repasses do fundo.
O levantamento foi realizado com base nos cruzamentos de dados das firmas e os CPFs de membros dos partidos, principalmente integrantes dos diretórios nacionais, estaduais ou municipais.
Essas empresas, segundo a reportagem, incluem escritórios de advocacia, contabilidade, produtoras de conteúdo, postos de gasolina e gráficas.
O esquema ocorre tanto em partidos de esquerda quanto legendas de direita. Foram práticas correntes, por exemplo, no PC do B, PSDB e PSL, que elegeu o presidente Jair Bolsonaro.
Em 2018 o PDT gastou R$ 60 mil com o escritório Xerez Saldanha e Ciro Gomes Advogados. O PSOL gastou R$ 130 mil com o escritório de advocacia Genro + Genro Advogados. Ciro Gomes disputa à presidência pelo PDT no ano passado e Luciano Genro foi a candidata do PSOL em 2014.
O DC de José Maria Eymael gastou R$ 68 mil com o Centro Automotivo Caminho Certo Ltda e o PROS, de Eurípedes de Macedo Júnior, gastou R$ 6.466 com o Auto Center Planalto Ltda.
O fundo partidário, mantido com recursos públicos, é a principal fonte de financiamento dos partidos. Em 2018 ele teve um aporte de R$ 888 milhões e para 2020 o orçamento será de R$ 959 milhões, que se somará ao fundo eleitoral de R$ 2 bilhões para custear as campanhas dos candidatos a prefeito e vereador em todo o país.








