MP aponta negócios milionários e fraudulentos do empresário Fernando Trabach Gomes;
Da redação
Preso no Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Caça Fantasma nesta terça-feira (8), o empresário Fernando Trabach Gomes mantinha diversos negócios privados ou junto à administração pública, com uso de documento falso.
O Ministério Público apurou que este modelo criminoso era operado pelo empresário desde 2006.
O esquema permitia que o empresário se escondesse na figura do fantasma e se beneficiasse das atividades econômicas lucrativas exercidas pela identidade fictícia.
CLIENTELA VARIADA
As provas colhidas demonstram, por exemplo, que o Município de Campos dos Goytacazes contratou algumas vezes o “fantasma” para locar ambulâncias por valores que chegaram a R$ 17,3 milhões.
A investigação evidencia, inclusive, um pregão presencial vencido na cidade por George Augusto Pereira da Silva, que teria beneficiado, na verdade, Fernando Trabach Gomes.
Também são listados contratos feitos em nome da identidade fantasma junto à Prefeitura de Duque de Caxias, à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) e à Polícia Civil fluminense.
Na maioria das vezes, os contratos destinavam-se à locação de veículos automotores, através de procedimentos licitatórios com suspeitas de fraudes, os quais continuarão sendo investigados.
RAMO IMOBILIÁRIO
Empreendimentos imobiliários também integravam os negócios das empresas. A ação cita como outro exemplo o anúncio da sociedade NEP NEXT EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, juntamente com a rede hoteleira francesa ACCOR, a respeito de um investimento de R$ 400 milhões para a construção de 12 hotéis no interior do Estado, incluindo o Hotel Ramada, em Campos dos Goytacazes.

A denúncia destaca que o filho de Trabach, Fernando Trabach Gomes Filho, um dos denunciados, exercia de forma consciente sua função de “laranja”, e apresentou-se como diretor-presidente da sociedade. Ainda segundo a ação, o empreendimento causou lesão a muitos consumidores, resultando no bloqueio judicial de R$ 75 milhões, em 2014, na Comarca de Resende, por não ter sido honrado o compromisso assumido.
Os contratos foram firmados, inicialmente, pela firma GEORGE A. P. DA SILVA COMÉRCIO DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS-ME, firma individual constituída em nome do “fantasma” George Augusto Pereira da Silva. Ao longo dos anos, outras empresas eram criadas e assumiam os negócios, tendo os demais denunciados em sua constituição societária. Algumas delas eram a GAP COMÉRCIO E SERVIÇOS ESPECIAIS –EPP, SUPER PLENA LOCADORA DE VEICULOS EIRELI, AUTO POSTO ESTRELA DA SERRA LTDA-ME, entre diversas outras.
SOCIEDADE NO PAPEL
Além de possuir diversos CPF´s, Trabach chegou a colocar o nome do “fantasma” George Augusto Pereira da Silva, como sócio administrador e majoritário de diversas sociedades.
George Augusto Pereira da Silva também figurou na promessa de compra e venda, como compromissário comprador, do apartamento residencial no Condomínio de luxo Golden Green, na Barra da Tijuca, onde Trabach, sua mulher Mônica Lima Barbosa e seu filho residiram por vários anos e até hoje figuram na relação de moradores do bloco “Blue Ash”.
O Fantasma ainda consta como proprietário de dois imóveis em Duque de Caxias, além de duas motocicletas, e ao seu nome vinculam-se um RG pertencente a uma terceira pessoa e um CPF suspenso, que não consta como eleitor no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
“Valendo-se do fantasma, Fernando Trabach cometeu os crimes de organização criminosa, mais de trinta falsidades ideológicas, inúmeros crimes de sonegação, além de, pelo menos, seis crimes de lavagem de dinheiro”, diz o MP.
BOAS RELAÇÕES
A denúncia cita, ainda, que a organização criminosa mantinha estreitas relações políticas com diversas Prefeituras Municipais no Estado do Rio de Janeiro. A ex-mulher de Trabach, Desirre Silva de Oliveira, inclusive, foi ex-chefe de gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Duque de Caxias.
Os demais denunciados são Jacira Trabach Pimenta, Mônica Lima Barbosa, Fernando Trabach Gomes Filho, Geraldo Menezes de Almeida, Henrique Itamar Schmidt, Marcos José Laporte de Souza, Elis da Rocha Ramos, Elen Cláudia Rangel Gomes, Desirre Silva de Oliveira e Jaks Trabach Gomes.
A denúncia foi aceita pela 3ª Vara Criminal de Duque de Caxias.
*Agência VIU!








