Os negócios de Fernando Trabach Gomes, o empresário preso na Operação Caça Fantasma;
Da redação
O empresário Fernando Trabach Gomes é um homem rico. Sua casa, no luxuoso Condomínio Golden Green, a Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, não deixa dúvidas sobre o padrão financeiro.
É o endereço de milionários, estrelas de TV e do mundo esportivo.
Ele amealhou fortuna fazendo negócios com o setor público. O portfólio inclui aluguel de carros, empresa de lixo, postos de gasolina e hotéis. Para cuidar desta agenda movimentada no mundo dos negócios, costuma se deslocar de helicóptero.
É também um generoso financista de campanhas eleitorais, o que, por sinal, lhe garante bons negócios na administração pública.
Sua clientela inclui prefeituras e o governo do Estado. Em Campos dos Goytacazes, por meio da GAP, a empresa alugou ambulâncias para a secretaria de Saúde. Em São Fidélis, cidade próxima, por meio da mesma empresa em nome de um fantasma, chegou a alugar caminhões de lixo no governo passado. Dois caminhões chegaram a ser apreendidos por falta de pagamento de IPVA. De acordo com sites de notícias locais, os veículos trabalhavam para a prefeitura naquele período.
No governo de Sérgio Cabral, alugou carros. Portanto, nessas atividades de terceirizações de carros, uma eventual delação do empresário poderá balançar caminhões.
CRIME E CASTIGO
Nesta terça-feira (8) o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC/MPRJ), prendeu o empresário no âmbito da Operação “Caça-Fantasma”. Ao todo, 11 pessoas foram acusadas nos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Criminal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Trabach Gomes é apontado como líder da organização e responsável por usar o nome de George Augusto Pereira da Silva, com o objetivo de cometer crimes licitatórios e contra a ordem tributária. De acordo com o MP, o nome é real, mas a pessoa não existe. É um “fantasma”.
O nome foi usado para vencer licitações em vários municípios do Estado e figurou como sócio de dezenas de empresas e outorgante de procurações para atuação junto a bancos, cartórios e prefeituras. Ou seja, o empresário criava nomes fantasmas e depois recebia procurações para atuar em nome deles.

Fernando Trabach Gomes e dois advogados acusados de atuar nos esquemas criminosos foram presos preventivamente. Nesta terça-feira foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Criminal de Duque de Caxias.
O objetivo, segund é apreender contratos e documentos relacionados a, pelo menos, 21 sociedades empresárias constituídas com “laranjas” e “fantasma”.
Os mandados foram cumpridos no Condomínio Golden Green, na sede da Prefeitura de Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense e em outros endereços em Jacarepaguá, Duque de Caxias. Na cidade de Campos, além da prefeitura, houve busca e apreensão na casa da ex-prefeita Rosinha Garotinho. A GAP atuou no primeiro governo da ex-prefeita, em 2009, mas teve o contrato encerrado quando a empresa foi denunciada em uma reportagem da revista Época.
Os demais denunciados são parentes do empresário, como sua mãe, mulher, filho, cunhada e ex-mulher, além de empregados e os dois advogados.
PREJUÍZOS DE R$ 1,774 BI
O Ministério Público também requereu à Justiça que os acusados sejam condenados à reparação dos danos materiais causados ao erário estadual. Os prejuízos apurados, inicialmente e sem atualização, chegam a R$ 1.774.565,80, relativo a valores fiscais que deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos.
Para assegurar a reparação, segundo o MP, houve decreto de indisponibilidade de bens.
Agência VIU!








