Em uma reunião aguardada com expectativa nos bastidores políticos de Campos dos Goytacazes (RJ), Norte Fluminense, o prefeito Wladimir Garotinho (Progressistas) reuniu secretários, subsecretários e vereadores da base governista nesta segunda-feira (2).
Acompanhado pelo vice-prefeito Frederico Paes (MDB), o encontro, que muitos acreditavam servir de palco para o anúncio de sua desincompatibilização do cargo para disputar as eleições deste ano — possivelmente uma cadeira na Câmara Federal —, acabou tomando um rumo inesperado de desabafo e transferência de responsabilidades.
O áudio da reunião, obtido com exclusividade pela reportagem da Agência Fonte Exclusiva, revela um prefeito que, em diversos momentos, adotou um tom que beirou a “confissão de fracasso” em alguns setores, embora tenha buscado sistematicamente terceiros para justificar os problemas crônicos da cidade.
Transporte, saúde e o Centro Histórico
Ao abordar o gargalo do transporte público, um dos temas mais sensíveis da gestão municipal, Wladimir não hesitou em apontar o dedo para o Governo Federal. Segundo o prefeito, a falta de soluções definitivas para a mobilidade urbana de Campos seria reflexo da ausência de suporte e investimentos da esfera federal.
A estratégia de “terceirização de culpa” prosseguiu quando o tema foi saúde pública. Apesar das críticas constantes da população sobre o atendimento nas unidades municipais, Wladimir Garotinho atribuiu as dificuldades ao Governo do Estado, alegando falta de repasses ou cooperação necessária para a manutenção do sistema.
Um dos pontos mais polêmicos da reunião, no entanto, foi o balanço sobre o projeto de revitalização do Centro Histórico, o centro da cidade, atualmente tomado por lojas fechadas e moradores de rua. Wladimir culpou o setor produtivo pelo insucesso das iniciativas na região.
Em um trecho revelador, o prefeito mencionou pressões de um pequeno grupo para que o poder público desapropriasse o prédio da histórica livraria Ao Livro Verde — a mais antiga do Brasil — para doá-lo ao proprietário, que na época era locatário do ponto comercial.
O desfecho, como se sabe, foi o fechamento definitivo da livraria, símbolo cultural de Campos.
Futuro político em aberto
Apesar do tom de balanço e das justificativas apresentadas, o mistério sobre a renúncia de Wladimir Garotinho permanece. O prefeito frustrou quem esperava uma definição imediata sobre sua candidatura em 2026.
“Só decidirei em abril”, afirmou Wladimir aos presentes, mantendo o suspense sobre se permanecerá à frente da prefeitura ou se buscará um novo mandato no Legislativo Federal.
A reunião deixa claro que a base governista terá meses desafiadores pela frente, tentando equilibrar a narrativa de uma gestão que busca culpados externos enquanto o calendário eleitoral avança implacavelmente.








