A compra de votos está escancarada na Câmara dos Deputados. Partidos estão negociando aprovar a reforma da Previdência em troca de emendas parlamentares no valor de R$ 40 milhões para cada deputado, além de loteamento de cargos.
As negociações envolvem o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni (DEM-RS), líderes de partidos e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).
O balcão de negócios já deu o primeiro resultado. Deputados de 15 partidos votaram favoráveis ao relatório pela admissibilidade do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
PARTIDOS FAVORÁVEIS À REFORMA
PSD, PSDB, MDB, PR, DEM, PODE, Cidadania, PSL, PP, PTB, PSC, PRB, Solidariedade, PV e Novo.
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A promiscuidade é tão banal, que Rodrigo Maia já não tem mais pudores em defender o “toma lá dá cá”. Ele diz que essas “negociações são legítimas”.
Ao ser entrevistado pela Globonews nesta quarta-feira (24), ele criticou a visão negativa dessas negociatas e associação do parlamento com a “velha política”.
O presidente da Câmara afirmou que “ninguém explicou ainda o que é a nova política”.
“É toma lá dá cá quando o Parlamento olha para o governo, mas não é toma lá dá cá quando o governo quer escolher o relator da reforma da Previdência?”, indagou.
“Quando (a influência) é na Câmara, não tem problema nenhum”. Quando é no governo, é velha política?”, disse.
O AGENCIADOR
Maia é apontado como um agenciador entre os parlamentares.
De acordo com a revista Fórum, em encontro com Onyx Lorenzoni (DEM/RS) e líderes partidários, ele negociou o valor de R$ 40 milhões para cada deputado votar a favor da reforma da Previdência proposta por Jair Bolsonaro (PSL) e Paulo Guedes, ministro da Economia.
A compra de votos acalorou os debates entre oposição e parlamentares alinhados ao governo. Na tribuna da Câmara, o deputado Glauber Braga (PSol-RJ) citou nominalmente partidos que estariam participando das negociatas.
O deputado Aliel Machado (PSB-PR), que também denunciou a compra de votos, quase apanhou em plenário.
ROLO COMPRESSOR
O governo tem pressa em aprovar a reforma da Previdência, porque precisa de dinheiro para continuar financiando suas dívidas no mercado financeiro.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, autor da proposta, é um banqueiro investigado por fraude em fundos de pensão patrocinado por estatais. Segundo as investigações, que também é alvo de apuração no Tribunal de Contas da União (TCU), o rombo teria chegado a R$ 1 bilhão.
Rodrigo Maia atua como braço auxiliar na reforma previdenciária. Para esta quinta-feira (25) ele marcou reunião para a instalação da comissão especial, o segundo passo para o Congresso aprovar a proposta. O grupo será formado por 49 membros, sendo que a maioria das cadeiras deve ser ocupada pelo centrão, núcleo de partidos envolvidos no toma lá dá cá.
O presidente da Câmara ainda trabalha para colocar o aliado Pedro Paulo (DEM/RJ) para presidir a comissão ou como relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O PSDB também entrou na concorrência para a relatoria. Os tucanos também se transformaram em linha auxiliar do governo Bolsonaro.







