A disputa interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (9). O ministro Flávio Dino determinou o retorno imediato de Andrei Augusto Passos Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa à Diretoria de Inteligência Policial.
A decisão foi tomada um dia depois de o ministro André Mendonça determinar o afastamento dos dois dirigentes. O caso estava sendo analisado pela Segunda Turma do STF, mas o julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Ao determinar a reintegração, Dino considerou que o Partido Novo não teria legitimidade para pedir medidas cautelares pessoais no processo. O ministro também avaliou que Mendonça não poderia decidir individualmente sobre a questão por estar envolvido no procedimento.
O novo capítulo da disputa aumentou a tensão dentro da Corte e passou a produzir efeitos também no cenário político, especialmente nas estratégias das campanhas que se preparam para a eleição presidencial de 2026.
Crise no STF preocupa campanha de Lula
A situação passou a ser acompanhada de perto pelo governo e pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo reportagem do g1, integrantes do governo discutem a necessidade de preservar a prerrogativa constitucional do presidente de nomear o diretor-geral da Polícia Federal.
Ainda de acordo com a publicação, parte da campanha petista defende uma postura mais firme de Lula diante da crise. Uma das possibilidades avaliadas seria aumentar a distância política em relação ao ministro Alexandre de Moraes, evitando que a disputa entre integrantes do Supremo seja diretamente associada ao presidente.
O Estadão também informou que o Palácio do Planalto passou a acompanhar o episódio com preocupação e que Lula realizou reuniões para discutir possíveis caminhos diante do agravamento da crise.
Entre as alternativas citadas pelo jornal estaria a possibilidade de Edson Fachin assumir a relatoria de determinadas investigações atualmente conduzidas por Mendonça, incluindo o inquérito das fake news. Segundo a reportagem, uma eventual mudança poderia ajudar a reduzir o confronto entre os ministros.
Dentro do PT, também há integrantes que defendem um novo pronunciamento de Lula sobre o assunto. Ao mesmo tempo, a orientação seria evitar ataques públicos a Mendonça e não transformar a crise em uma defesa direta de Moraes.
Estratégia eleitoral do PT passa por Flávio Bolsonaro
O conflito no Supremo também começou a influenciar a estratégia eleitoral do PT.
Segundo O Globo, a campanha de Lula pretende evitar que a disputa presidencial seja transformada em um confronto direto entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro em torno das decisões de Alexandre de Moraes.
Uma das estratégias avaliadas seria direcionar o discurso para a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro que aparece no centro das investigações relacionadas ao Banco Master.
A avaliação atribuída pela publicação a integrantes da campanha é que essa abordagem poderia dificultar a tentativa do adversário de apresentar as investigações e decisões judiciais como uma forma de “perseguição”.
O Globo também relatou que setores do PT consideram que ataques diretos ao Supremo têm potencial limitado entre eleitores de centro e pessoas que ainda não definiram o voto.
Flávio Bolsonaro usa crise para atacar Lula
Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro tenta utilizar a crise no STF para reforçar a associação política entre Lula e Alexandre de Moraes.
Em uma transmissão, o candidato afirmou que “quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes” e disse que o presidente e o ministro teriam “virado uma coisa só”.
A estratégia também apareceu no ato de 7 de Setembro realizado na Avenida Paulista, que contou com críticas a Moraes e defesas de mudanças na estrutura e no funcionamento do Supremo.
Segundo o Estadão, Flávio também passou a priorizar agendas de rua, gravações e transmissões próprias, reduzindo a participação em entrevistas e evitando debates dos quais Lula não participe.
A estratégia ocorre em meio às pesquisas eleitorais citadas pelo jornal, nas quais Flávio aparece numericamente empatado com Lula em uma eventual disputa de segundo turno.
Caso Dark Horse também entra no cenário
Enquanto explora politicamente a crise do Supremo, Flávio Bolsonaro continua enfrentando questionamentos relacionados à sua ligação com Daniel Vorcaro durante a produção de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Segundo o Metrópoles, documentos e mensagens indicariam uma negociação de até R$ 134 milhões relacionada ao projeto. Desse montante, aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido transferidos para a produção do filme.
Flávio nega irregularidades e afirma que não era responsável pela administração dos recursos. De acordo com a versão apresentada pelo candidato, eventuais esclarecimentos sobre os valores devem ser prestados pela produtora Go Up Entertainment.
As informações permanecem no âmbito das apurações e das versões apresentadas pelos envolvidos, sem que as alegações citadas no caso representem, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade.
Disputa no Supremo ganha peso eleitoral
O agravamento da crise no STF cria desafios diferentes para as duas campanhas.
Para Lula, um dos principais objetivos é evitar que a instabilidade dentro da Corte e sua associação política com Alexandre de Moraes produzam novos desgastes durante a corrida presidencial.
Para Flávio Bolsonaro, por sua vez, o episódio oferece uma oportunidade de mobilizar o eleitorado bolsonarista e reforçar a narrativa de proximidade entre Moraes e o atual presidente.
A estratégia, porém, acontece paralelamente aos questionamentos relacionados a Daniel Vorcaro e ao projeto Dark Horse, que também podem entrar no debate eleitoral.
O cenário reúne, assim, uma disputa institucional dentro do Supremo e uma batalha política que já começa a influenciar o discurso e as estratégias das campanhas para a eleição presidencial de 2026.
*Da Agência Fonte Exclusiva








