“Meu nome é Erivan Hilário dos Santos. Sou uma bicha preta que dá vida à Ruth Venceremos.”
É assim que se apresenta a assessora da diversidade da Secretaria Especial de Comunicação (Secom), do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Drag queen, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), ela é nordestina, tem 38 anos e assumiu o cargo a convite do ministro da Secretaria de Comunicação Social Paulo Pimenta.
Ruth (PT-DF) também é pedagoga, ativista dos direitos humanos e produtora cultural. Ela foi candidata a deputada federal nas últimas eleições, mas não conseguiu uma vaga na Câmara.
Nordestina, moradora de assentamento do MST e pós-graduada em Educação
Nascida em Pernambuco, aos 13 anos Ruth foi viver em um assentamento do MST “para lutar pelos direitos à terra”, explica. Foi lá que conheceu “a militância”.
“Aprendia na escola de manhã e, à noite, ensinava os adultos que viviam no acampamento que não sabiam ler ou escrever”, relembra.
Graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pós-graduada em Educação pela Universidade de Campinas (Unicamp), diz com orgulho que estudou a vida toda em instituições públicas. No assentamento, além de atuar na pauta educacional, também ajudou a criar o Coletivo LGBT dentro do Movimento Sem Terra, em 2015.
A drag Ruth Venceremos surgiu no carnaval de 2016, quando montou-se pela primeira vez e desfilou no Bloco das Virgens, em Brasília.
“Entendi logo que a drag queen tem um poder de comunicação incrível.”
Em 2017, ela e outras amigas criaram o “Distrito Drag” com o objetivo de lutar pelos direitos das pessoas que trabalham com a arte e para juntarem-se à luta pelos direitos humanos.
“Ruth Venceremos é uma manifestação de mim, uma forma de potencializar características.”
Primeira drag no governo federal
Sobre a participação no governo Lula, ela comenta que pessoas LGBTQIA+ são presenças pedagógicas onde quer que estejam. A nova Secretária da Diversidade conta ainda que parte desse princípio para entender a melhor forma de colaborar com o trabalho de reconstrução do país sendo “bicha preta, do MST e drag queen”.
“O desafio que temos pela frente é o de estabelecer, novamente, uma ampla e eficiente rede de participação social em todos os níveis do governo federal para que as políticas públicas construídas em todos os ministérios partam da escuta ativa das demandas da sociedade civil”.
Ruth ainda afirma que há uma ampla discussão de estratégias e modos de cooperação entre os ministérios “para que o país volte a ser efetivamente diverso, responsável, com justiça social, que respeita a pluralidade de pensamentos, demandas e necessidades do povo”.
Com informações do g1.








