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Cariocas ignoram realidade se reunindo em eventos em plena pandemia

redacao Por redacao
10/01/2021 - 11:30
em Política
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Festa da Covid: eventos, muitos deles clandestinos

Jovens se reúnem na entrada do Vitrinni Louge, na Barra Foto: Domingos Peixoto

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O primeiro domingo de 2021 amanhecia quando a polícia interrompeu uma poll party (festa em torno de uma piscina) sem autorização num sítio de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Na internet, vídeos mostram o antes, de centenas de pessoas ao som da música eletrônica, aglomeradas e sem máscara, diante de um palco com dançarinos e telão, e o depois, quando os frequentadores iam embora em meio à lama deixada pela chuva. Era só um entre incontáveis eventos nas últimas semanas, muitos deles clandestinos, para vários públicos, gostos e bolsos, em que um afã coletivo por diversão tem ignorado as consequências da pandemia do coronavírus, num momento em que o país ultrapassa a marca dos 200 mil mortos pela Covid-19.

De 25 de novembro a 6 de janeiro, só o Corpo de Bombeiros do Rio recebeu 434 denúncias e precisou intervir para interditar 168 desses eventos. Os organizadores de parte deles, contudo, desenvolveram estratégias para se manterem na surdina, sem provocar alardes às autoridades. Afters (festas que começam após o horário tradicional das baladas) e pool parties clandestinas, por exemplo, quase nunca têm divulgação nas redes sociais. Sob a condição de anonimato, frequentadores contam que, com as restrições da pandemia, elas costumam ser anunciadas em grupos fechados de WhatsApp e se espalham no boca a boca.

Os ingressos são comprados por meio de transferências bancárias, inclusive pagamentos pelo PIX, mas com o endereço da festa revelado a poucas horas do início. Em geral, ocorrem em sítios e chácaras afastadas, em bairros como Guaratiba, Vargem Grande e Jacarepaguá, mas também em casas de bairros da Zona Norte ou em regiões de Campo Grande.

— Às vezes pedem nos grupos que ninguém poste vídeos ou fotos — conta um frequentador.

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Muitas delas são embaladas pelo consumo de drogas sintéticas, e têm forte apelo comercial. Na do fim de semana passado, em Guaratiba, a entrada com bebida liberada custava R$ 300. O público era, majoritariamente, de homens gays, semelhante ao da R:evolution, fechada pelos bombeiros e por policiais do 23º BPM (Leblon) no último dia 29 de dezembro — essa, contudo, com ampla divulgação e realizada por uma das maiores produtoras de festas do Rio. Denúncias de aglomeração levaram os agentes ao Faro Beach Club, no Leblon, onde a noitada acontecia.

Movimento LGBT repudia encontros

Nem a interrupção da Revolution nem a da pool party de Guaratiba, porém, resultaram em registros nas delegacias próximas, segundo a Polícia Civil. Ou seja, ficaram apenas na esfera administrativa, sem a abertura de investigações. As críticas a eventos do tipo em plena emergência sanitária encontram ecos, inclusive, no movimento LGBT. Presidente do Grupo Arco-Íris, Almir França é um dos que repudiam essas festas.

— Não reconhecemos essas eventos como LGBT. A sigla tem várias identidades, e nessas festas o que há é um bando de homens sem camisa. Além disso, são festas particulares comerciais, cujos organizadores não fazem nada pelo movimento. As instituições e eventos LGBT têm um papel social histórico — diz Almir, ao destacar que os questionamentos a essas festas não podem se confundir e derivar mais preconceitos contra uma população que há séculos luta contra discriminações.

Decreto está sendo descumprido

Basta circular pelas ruas e vasculhar a internet para encontrar todo tipo de festa, com os mais diversos grupos sociais, que descumpre o decreto 47.345, de 5 de novembro de 2020, determinando que os produtores de eventos devem garantir o distanciamento social, o uso de máscara, a utilização de álcool em gel e a lotação máxima de 50% da capacidade total dos espaços.

Ao Disque-Denúncia, desde outubro, foram 177 ligações sobre festas com aglomerações só no Rio, principalmente em bairros como Campo Grande, Jacarepaguá e Barra. Os bailes funk nas comunidades também andam a toda. No Instagram, o perfil @brasilfedecovid tem denunciado festas com aglomerações em todo país. A preocupação é que ainda há um longo verão pela frente, com grandes festas programadas. Os bombeiros afirmam ter aumentado em 40% o efetivo empenhado nas fiscalizações.Já Guarda Municipal diz manter patrulhamento diário nas praias.

As informações são do Extra.

Tags: #Covid-19#Eventos#Eventos clandestinos#Pandemia
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