*Da Agência Brasil
O Banco Paulista S.A. é alvo da 61ª fase da operação da Lava Jato deflagrada pelo Ministério Público Federal (MPF) nesta quarta-feira (08).
O banco teria lavado mais de R$ 48 milhões para a Odebrecht entre 2009 e 2015.
O dinheiro, segundo as investigações, foram repassados pela empresa, no exterior, por meio de “contratos ideologicamente falsos”. É a primeira vez que a Lava Jato faz buscas em um banco.
PROPINA DA ODEBRECHT
A força-tarefa também investiga outros R$ 280 milhões em repasses suspeitos feitos pelo banco a empresas “aparentemente sem estruturas”, inclusive de funcionários, por meio do Setor de Operações Estruturados.
Segundo delatores, este setor foi criado pela Odebrecht para repassar propinas para agentes públicos e políticos. O mesmo setor foi usado para desviar recursos da Petrobras.
EXECUTIVOS INVESTIGADOS
O MPF destaca “fortes evidências” da participação de Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, na época funcionário da mesa de câmbio do Banco Paulista; de Tarcísio Rodrigues Joaquim, que era diretor da Área de Câmbio da mesma instituição e do diretor-geral Gerson Luiz Mendes de Brito. Todos ainda trabalham no banco.
ENTENDA O ESQUEMA
O esquema “tinha estrutura hierarquizada com divisão de tarefas, composto por pessoas de confiança da cúpula do Grupo”.
Entre os executivos investigados, destacam-se Luiz Eduardo da Rocha Soares, Olívio Rodrigues Júnior e Fernando Migliaccio da Silva.
Os três, associados com Vinícius Veiga Borin, Marco Pereira de Souza Bilinski e Luiz Augusto França, detinham o controle societário do Meinl Bank Ltd., instituição financeira localizada nas ilhas de Antígua e Barbuda (Caribe), onde o Grupo Odebrecht abriu e manteve, pelo menos entre 2010 e 2016, diversas contas bancárias operacionais para a movimentação ilícita de valores.
O MPF diz ter identificado compensações ilícitas feitas pelos executivos da instituição financeira, em meio a transferências realizada em moedas estrangeiras para contas em nome de offshores controladas por doleiros identificados como “Juca Bala” (Vinícius Claret) e “Dragão” (Wu Yu). A compensação teria sido feita no Brasil, na moeda local.
TRANSFERÊNCIA ELETRÔNICA
Após receberem os recursos ilícitos pelos doleiros, Olívio Rodrigues Júnior repassava dinheiro em espécie ao Banco Paulista, que então efetuava os pagamentos, por meio de transferência eletrônica, para as empresas de fachada controladas pelo próprio Olívio, por Luiz Eduardo da Rocha Soares, Fernando Migliaccio da Silva, Vinícius Veiga Borin, Marco Pereira de Souza Bilinski e Luiz Augusto França.
“Os pagamentos do Banco Paulista a essas empresas sem existência real, por serviços nunca prestados, foram fraudulentamente justificados por contratos fictícios e notas fiscais falsas”, diz o MPF por meio de nota oficial.
Apenas no período de 2009 a 2015, o Banco Paulista teria efetuado, sem a efetiva contraprestação de serviços, pagamentos superiores a R$ 48 milhões em favor das empresas BBF Assessoria e Consultoria Financeira, JR Graco Assessoria e Consultoria Financeira, VVB Assessoria e Consultoria Financeira, Lafrano Assessoria e Consultoria Financeira, MIG Consultoria Econômica e Financeira, Crystal Research Serviços Ltda., e Bilinski Assessoria e Consultoria Financeira.
O Banco Paulista já havia sido instado pelo Banco Central, em 2017, a prestar esclarecimentos sobre os contratos suspeitos.








