Na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), Norte Fluminense, a obra de uma Escola Modelo licitada por R$ 4.246 milhões em 2014, está abandonada e inconclusa.
O prédio de dois andares está localizado no bairro Novo Eldorado, na periferia do município. Atualmente, a imagem mais visível é o mato no pátio e os urubus que usam o telhado como moradia.
Acompanhado de Joel Rodrigues da Silva, vigia que trabalha no local sem receber pagamento desde 2017, a reportagem entrou no prédio e constatou a existência de salas sem reboco, rampa de acessibilidade e várias salas. O que está preservado, é graças ao vigia que é morador do bairro e respeitado na comunidade.
A estrutura está se deteriorando por falta de manutenção e sobre o telhado é possível ver os urubus fazendo moradia e ninhos para procriar.
A Escola Modelo foi licitada no governo da ex-prefeita Rosinha Garotinho e a empresa responsável foi a Construnor. Segundo levantamento da Agência Fonte Exclusiva, em 2017 a empresa recebeu R$ 2,926 milhões como parte do pagamento.
“Eu recebi normalmente do ano de 2014 a 2017. Depois a empresa parou de me pagar. Entrei na justiça, fiz um acordo para receber 20 parcelas de R$ 1.750 e o pagamento do mês. Me pagou quatro parcelas do acordo e o pagamento não pagou nenhum, mas continuei trabalhando. Estou até hoje”, diz o vigia.
Diante do abandono do prédio que está localizado em uma rua que liga os bairros Eldorado e Santa Rosa, o que seria a calçada foi transformada em lixão, um retrato do desperdício de dinheiro público.
De acordo com reportagem de O Rebate, a empresa Construnor Empreendimentos Comerciais e Serviços Ltda-ME, que paralisou a obra, é alvo de um pedido de informações junto à Prefeitura de Campos.
Recentemente, o desembargador Arthur Narciso de Oliveira Neto, do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio), deu prazo de 10 dias para o prefeito Wladimir Garotinho prestar todas as informações, no âmbito de um mandado de segurança sobre o tema.
O pedido formalizado por um morador da cidade solicita esclarecimentos sobre “eventuais empenhos ou notas fiscais de gastos do município com a personalidade jurídica assim como da Santa Casa de Misericórdia de Oliveira de Campinhos ou do Instituto de Saúde Nossa Senhora da Vitória (INSV)”, que teria como preposto, o mesmo dono da Construnor, o empresário Rafael Guimarães, vulgarmente conhecido por “Cabeça”.
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