Em uma notícia-crime protocolizada no Ministério Público de Campos, que gerou um inquérito Policial no âmbito da 134ª DP, é possível entender toda a trama envolvendo os sócios da Usina Paraíso S.A., indústria sucroalcooleira que suspendeu suas atividades produtivas.
A denúncia cita supostas fraudes que poderão anular a recuperação judicial da indústria.
Em 107 páginas, o documento narra os pormenores de uma operação de empréstimo que não está declarada na Recuperação Judicial, foi ignorada pelo escritório de advocacia que administra a recuperação e destaca indícios de caixa 2 operado pela família proprietária da usina por meio da empresa Faria Corretora, intermediária na venda de álcool e supostamente braço operacional de outros negócios.
De acordo com a denúncia, foi a Faria Corretora que, em 2012, recebeu a quantia que na época chegava a quase quatro milhões, que em valores corrigidos chegam aproximadamente a R$ 30 milhões, do idoso Carlos Dias dos Santos para financiar a safra da usina.
O investimento teria como garantia a produção de etanol, fato que seria corriqueiro entre a indústria e alguns financistas. O idoso nunca foi ressarcido. Levou um calote.
O caso não envolve apenas dívidas, por isso gerou notícia-crime no MP.
A Faria Corretora funcionava com escritório dentro da usina e foi na conta desta empresa que o dinheiro do aposentado foi depositado, o que pode evidenciar a sucessão de práticas delituosas.
Uma delas: a operação financeira não está declarada na Recuperação Judicial e a Faria Corretora consta como credora de créditos da usina no processo.
Ainda que o inquérito tenha 107 páginas recheadas de extratos bancários, ele está adormecido na 134ª Delegacia de Polícia, sem que nenhum dos denunciados tenha sido intimados a prestar depoimento sobre os outros crimes narrados.
A notícia-crime não envolve a dívida da usina ou os eventuais crimes contra a ordem tributária.
O objetivo, segundo o denunciante, foi evidenciar que os sócios da indústria.
Ele narra que os empresários Geraldo Benedicto Hayem Coutinho, o Gel Coutinho; Maria Cristina Hayem Coutinho, Maurício Hayem Coutinho, Marcelo Hayem Coutinho, Luiz André Hayem Coutinho e Amaro Ribeiro do Nascimento Júnior (da Faria Corretora), o Amarinho do álcool, formaram uma “associação criminosa para a prática de estelionato (seis vezes autônomas e reiteradas) e falsidade ideológica (vinte vezes autônomas e reiteradas)”.
Autoria da denúncia
O autor da denúncia é o idoso Carlos Dias dos Santos, de 73 anos, o Panela, que seria o principal lesado pela suposta organização criminosa. A abertura de inquérito foi solicitada pela pela promotora Renata Felisberto N. Chaves, com instauração formalizada pelo delegado Pedro Emílio Braga.
A paralisação do inquérito, segundo fontes ligadas ao advogado do idoso, deverá ser objeto de denúncias de prevaricação junto às corregedorias.
Sobre os supostos crimes contra a ordem tributária por parte da família Coutinho e o representante da Faria Corretora, o caso deverá ser denunciado junto à Receita Federal.
Outro fato que deve emergir na recuperação judicial, é o envolvimento de dois novos personagens: o empresário Renato Abreu, do grupo MPE, e o presidente da Coagro, Frederico Paes.
Eles deverão ser inseridos nas denúncias por terem comprado a Usina Paraíso, estarem processando as canas das terras da indústria e canibalizando maquinários para o funcionamento da usina Coagro.
O processo de recuperação judicial da Usina Paraíso é tema de uma série de reportagens da Agência Fonte Exclusiva, desde o ano de 2017.

Nesta reportagem, Fonte Exclusiva disponibiliza cópia do inquérito policial que está parado na 134ª DP, em Campos, há quatro anos.
Uma narrativa que faz entender como um idoso, que ganhou uma quantia milionária, caiu no conto dos Coutinhos da Paraíso, é assinada pelo advogado Sérgio Bermudes, que formalizou o pedido de recuperação da indústria sucroalcooleira:
“A família Coutinho conhece os seus empregados e fornecedores pelo nome e por eles é admirada por sua simplicidade e dedicação aos interesses da usina e dos que em torno dela trabalham”, destaca o advogado no pedido de recuperação judicial aceito na Comarca de Campos.
Carlos Dias dos Santos era fornecedor da usina Paraíso. Sempre negociou com a usina Paraíso, quando administrada pelo patriarca da família, Geraldo Coutinho, fornecendo serviços e recebendo etanol como pagamento. Ele atuava no ramo de molas de caminhão.
CLIQUE AQUI E LEIA CONTEÚDO DA NOTÍCIA-CRIME







