Com um smartphone, uma transeunte filmou a cena de um policial de Minneapolis, em Minnesota (EUA), prendendo um afro-americano.
O homem, George Floyd, que trabalhava como segurança, foi abordado por suspeita de tentar comprar no comércio local com uma nota falsificada.
Floyd deitado de bruços e o rosto sob o chão, foi neutralizado com o policial colocando o joelho sobre o seu pescoço. Não era simplesmente uma abordagem. Ainda que falasse que não conseguia respirar com joelho lhe pressionando, o suspeito continuava mantido na mesma posição por mais que apresentasse falta de pulsação. Ele morreu por asfixia a caminho do hospital. Foi, portanto, um golpe fatal que viraria mais um número nas estatísticas oficiais, caso não fosse devidamente documentado.
Com o joelho, o policial Derek Chauvin pressionou o pescoço da vítima desarmada e rendida por quase oito minutos em frente a várias testemunhas.
O assassinato de George Floyd não é o primeiro caso de violência policial contra um afro-americano nos EUA. Foi apenas mais um a deflagrar uma reação nas ruas, desta vez com muito mais intensidade. O assassinato sistemático de negros deu origem ao movimento Black Lives Matter. pic.twitter.com/XTISGiZLL5
— Roberto Barbosa (@rgbarbosa) June 1, 2020
Uma demonstração de que a tecnologia mobile ao alcance de todos é uma arma poderosa. Uma ferramenta que pode mudar o curso de uma história, desde que um país tenha instituições fortes e independentes.
Nas redes sociais, a imagem captada pela transeunte de Minneapolis viralizou pelo mundo e deflagrou uma onda de protestos nos EUA que levaram o presidente Donald Trump a se refugiar em um bunker diante de uma multidão que chegou aos portões da Casa Branca.
Existe uma diferença entre povo e massa. Nos EUA têm povo. O vídeo que ilustra este post é o ato em memória de George Floyd, homem negro assassinado por um policial em uma cidade de Minnesota. pic.twitter.com/fZRR1Qvh8F
— Roberto Barbosa (@rgbarbosa) May 31, 2020
A morte de George Floyd não é o único caso de violência policial contra um afrodescendente na América. Está longe de ser um caso isolado. Talvez, seja a gota d’ água em um país que ainda não conseguiu se libertar de ideologias supremacistas, segregacionistas agora empoderadas por um presidente que parece empenhado em destruir todos os valores democráticos erigidos pelas sociedades modernas.
A democracia nos EUA sangra e as multidões reagem indignadas, pedindo um basta. Para conter as reações, cidades impõe toques de recolher, mas ainda assim os protestos se espalham por meio de manifestações históricas similares às lutas pelos direitos civis e os protestos contra a Guerra do Vietnã.
https://www.instagram.com/p/CA3tKzQJpqS/
Imagine se esses protestos estivessem ocorrendo nas ruas de Teerã. Trump e seus falcões estariam em extâse, flertando com um golpe na República Islâmica.
O mundo não será o mesmo após a pandemia do novo coronavírus. Assim como o processo sucessório nos EUA. O país que atualmente é o epicentro do desastre global, também terá reflexos com o sacrifício de George Floyd. Serão marcos que impactarão, por exemplo, o projeto de reeleição de Donald Trump e exigirão a adoção de novos paradigmas na política interna e externa.
O mundo sem Trump seria, no mínimo, menos pior, inclusive o Brasil, dada a opção preferencial do governo Bolsonaro por esta corrente isolacionista. Alvissaras! As imagens captadas pelo smartphone de Minneapolis têm o potencial de redefinir um novo caminho para a história.








