O conteúdo do depoimento de Sérgio Moro à Polícia Federal no sábado (02), cita três ministros como testemunhas de que o presidente Jair Bolsonaro o pressionou em relação a troca no comando da Polícia Federal.
São citados Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência) e Walter Souza Braga Netto (Casa Civil).
Moro é ex-ministro da Justiça e solicitou que o conteúdo do depoimento seja tornado público.
Procuradas por e-mail pela agência de notícias Reuters, as assessorias de Ramos e Heleno responderam dizendo que os ministros não vão se manifestar sobre o assunto no momento. A assessoria de Ramos disse ainda que ele não foi notificado oficialmente. A agência destacou que não teve um retorno da assessoria da Casa Civil.
No depoimento, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública fez um relato minucioso de tentativas de pressão sofridas para trocar o comando da PF. Um dos encontros citados por Moro em que ele disse ter sido pressionado ocorreu no dia 22 de abril, dois dias antes de pedir demissão. Essa reunião, ocorrida no Palácio do Planalto, contou com a presença de vários ministros e teria sido gravada.
Nesta segunda-feira (04), o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao STF para ouvir Ramos, Augusto Heleno e Braga Netto, para esclarecer as declarações de Moro no depoimento. Também requisitou a cópia do vídeo da reunião do último dia 22.
Moro depôs no sábado no inquérito aberto pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar declarações feitas pelo ex-ministro há duas semanas de que teria havido tentativa de interferência política de Bolsonaro na indicação de um novo diretor-geral da PF.








