Em depoimento à Polícia Federal no sábado (02), o ex-ministro a Justiça, Sérgio Moro afirmou que o presidente Jair Bolsonaro pediu a troca do superintende do órgão no Rio de Janeiro por meio de mensagem.
O presidente não teria apresentado os motivos para pedir a cabeça do delegado Carlos Henrique, que ainda está oficialmente no cargo, mas deve ser trocado nas próximas horas.
“Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”, teria escrito Bolsonaro ao então ministro, segundo o depoimento.
A mensagem foi enviada em março quando o então ministro estava em Washington, numa viagem. O ex-diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, também participava da comitiva.
No depoimento, Sérgio Moro admite que ele e Valeixo pensaram em aceitar a troca para evitar uma crise com o presidente. No entanto, Valeixo declarou que não poderia ficar no cargo caso a troca no comando da PF no Rio ocorresse sem um motivo técnico.
Bolsonaro pediu mudanças na direção da PF em janeiro e intensificou a pressão a partir de março.
O ex-ministro afirmou que não acusou o presidente de cometer crimes quando pediu demissão do cargo, mas apenas “prestou as declarações” para “esclarecer as circunstâncias de sua saída” e “proteger a autonomia da Polícia Federal.
Moro ressaltou ainda que o primeiro a mencionar a possibilidade de crime cometido pelo presidente Bolsonaro foi o procurador-geral da República, Augusto Aras, quando solicitou a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
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