É de alta gravidade os movimentos do presidente Jair Bolsonaro, ao mobilizar apoiadores para minar a confiança da população na ação de governadores no combate a pandemia do coronavírus. Ele também trabalha para corroer a credibilidade do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Estamos diante de uma calamidade mundial, em que a confiança nos agentes públicos é primordial para assegurar uma ação coordenada com a sociedade visando evitar um grande número de mortes.
Assim como também se faz necessária a confiança das populações locais nas ações dos prefeitos.
O denuncismo neste momento não ajuda, só contribui para minar a confiança nas instituições já abaladas pelos efeitos deletérios da Operação Lava Jato, que demonizou a imagem da classe política.
Haverá momentos para apurar eventuais desvios de conduta no manejo de verbas públicas durante a pandemia, mas o momento não é agora. A prioridade no atual estágio de propagação do coronavírus é salvar vidas.
O Brasil não dispõe de tecnologia e mecanismos adotados por países que conseguiram estancar a crise. Para agravar, também estamos diante de um chefe de estado insano, que se aproveita da situação de calamidade para sair às ruas em defesa de golpe militar.
As instituições estão desafiadas a mostrar que existem. É hora de despertar o Leviatã para punir a voz que chama a multidão para brincar com a morte e quando se depara com o grande número de cadáveres, relativiza a tragédia afirmando que não é coveiro.
Governante que tenta acabar com a imprensa e joga contra as instituições não quer democracia. Almeja o absolutismo.
Bolsonaro passou dos limites. Para as instituições restam dois caminhos: reagem com punição exemplar ou bastará mobilizar um cabo e um soldado para fechar suas portas, como certa vez disse o senador Flávio Bolsonaro, filho primogênito do comandante em chefe, se referindo ao STF.








