A prisão de um ex-graduando da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) com 11 kg de cocaína, supostamente sendo embalada para vendas, levou segmentos da mídia de Campos dos Goytacazes (RJ) a cometer um assassinato de reputação contra a instituição de ensino e profissionais que atuam no campus.
A prisão se deu em um condomínio no Parque Califórnia, próximo a Universidade. O ex-graduando estava acompanhado de outras 9 pessoas e no ato da prisão teria se identificado como professor da Uenf.
Minutos após a prisão, a notícia chegou à redação do Portal VIU! por meio de uma mensagem de Whatsapp acompanhado das fotos do material apreendido. A opção foi por não publicar, devido a dificuldade inicial de checar informação sobre a real condição funcional do ex-graduando.
O mesmo cuidado não teve alguns sites e veículos de comunicação regional, que além de disseminar a informação incorreta, não mencionou o nome do implicado. Optou por informa de forma genérica, abrindo caminho para especulações e disseminações de fake news nas redes sociais.
O ex-graduando não tem qualquer vínculo com a Uenf, segundo ficou apurado pela reportagem da agência Fonte Exclusiva.
O erro irreparável da imprensa local mereceu uma carta de repúdio da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf).
A notícia, mesmo que distorcida, tornou-se um combustível para internautas alinhados à ideologia de extrema direita que empreendem uma guerra ideológica contra as universidades Públicas.
Em perfis de Facebook, os links das reportagens com erros de apuração passaram a ser disseminadas como verdades, recebendo comentários desabonadores, como é comum na propagação de Fake News. Até esta segunda-feira (16), as mensagens persistiram mesmo diante dos desmentidos e erratas publicadas por sites. CONFIRA:
Informação incorreta, principalmente envolvendo reputações, é um tipo de erro imperdoável no exercício do jornalismo, mas infelizmente deverá se tornar corriqueiro com as mais recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que extinguiu a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista e a Medida Provisória do presidente Jair Bolsonaro, que acaba com a exigência do registro profissional.
Atualmente, qualquer um pode abrir uma página na internet e atuar neste mercado, sem adotar qualquer critério no trato da informação. A apuração deixou de se pautar por ouvir fontes confiáveis e checagem de dados, para nutrir-se na “teoria do ouvimos dizer”. Neste mercado promíscuo do jornalismo contemporâneo, a Uenf e seus professores entraram para a estatística de vítimas dos erros de imprensa.
SOBRE A FONTE EXCLUSIVA
A Agência Fontes Exclusiva integra a base operacional do Portal VIU!, com checagem de dados, noticiários e combate as Fake News.








