Concessionária dos serviços de água e esgoto na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), no Norte Fluminense, o consórcio Águas do Paraíba é uma joia da coroa.
Braço da Carioca Engenharia e Queiroz Galvão, a empresa fatura R$ 58 milhões por ano neste município, cobrando uma das taxas de esgoto mais caras do Brasil.
A contrapartida é um escracho. Os serviços são precários, com boa parte dos bairros da periferia sem rede coletora, mas ainda assim pagando taxa de esgoto. Em alguns bairros que são cobertos pela rede coletora, o esgoto volta para dentro de casa.
O retrato do saneamento em alguns bairros de Campos é desolador: a cidade que Getúlio Vargas chegou a definir como espelho do Brasil, que foi a primeira da América Latina a ter luz elétrica, ainda convive com esgoto correndo a céu aberto em algumas ruas.
No reino de Águas do Paraíba a taxa de esgoto é um sacrifício para quem paga. Os contribuintes chegam a dizer que defecar em Campos dos Goytacazes é muito caro, porque o apetite da concessionária para arrecadar é incontrolável.
MANUAL ULTRAPASSADO
Desde que se instalou na cidade, no início dos anos 2000, depois que o município denunciou o contrato com a Cedae, o consórcio conseguiu sobreviver mediante um forma de se relacionar com a imprensa e autoridades que se tornou arcaica.
Segmentos da imprensa são turbinados com mensalão sob forma de publicidade institucional, como se isso fosse o suficiente para silenciar uma cidade com um ativismo peculiar nas redes sociais.
O diretor-executivo que participou da instalação da empresa no município, Rodolfo Mantuano, foi deslocado para o Rio de Janeiro. Na cidade maravilhosa foi um dos delatores no âmbito da Operação Lava Jato, confessando pagamentos de propina as autoridades. Se esse modus operandi foi adotado na terra do chuvisco, é possível entender o tipo de relação que esse grupo está habituado.
Em termos de comunicação corporativa, Águas do Paraíba ainda adota um modelo de relação completamente ultrapassado, uma demonstração de que não aprendeu a conviver com os formatos mais modernos de mídia. É distante, portanto, da nova realidade. Insiste em um modelo que se esgotou.
O desgaste da empresa é tanto, que já tem candidatos ao governo municipal que preparam uma plataforma com a promessa de romper o contrato com a concessionária, assim como uma safra de candidatos ao legislativo deverão seguir a mesma toada. Portanto, 2020 também promete ser um ano animado para a rainha do esgoto.








