*Da redação
No âmbito da Operação Lava Jato, em Curitiba (PR), o Ministério Público Federal (MPF) pediu ao então juiz Sérgio Moro, por duas vezes, a deflagração de uma operação contra a filha de um investigado.
O objetivo, segundo reportagem do site The Intercept Brasil, era forçar o réu, que vive em Portugal, a se entregar às autoridades brasileiras. O alvo desta pressão era o empresário luso-brasileiro Raul Schimidt.
O pedido do MPF a Sérgio Moro era para que o passaporte da filha do empresário, Nathalie Angerami Priante Schmidt Felippe, fosse cassado e que ela fosse proibida de sair do Brasil.
Na primeira tentativa dos MPF, em fevereiro de 2018, Moro negou o pedido, mas na segunda tentativa, em maio do mesmo ano, ele autorizou uma série de medidas contra a filha do empresário, que incluía varredura na casa, nas comunicações e nas contas.
O plano dos integrantes da força-tarefa foi revelado em mensagens trocadas entre procuradores no Telegram. O material foi entregue por uma fonte anônima ao The Intecept e compõe os arquivos do escândalo da #VazaJato.
De acordo com The Intercept, “apesar de ser titular de contas no exterior que receberam propinas”, a filha do empresário “não era suspeita de planejar e executar crimes”.
No processo os procuradores argumentavam que ela não poderia sair do país para não prejudicar a investigação sobre crimes que teria cometido. Já no Telegram, os procuradores admitiam que a finalidade das medidas era atacar o empresário.
O procurador Diogo Castor de Mattos confessou na conversa com os colegas: “na minha perspectiva, ela não pode sair do país, é um elemento de pressão em cima dele”, diz um trecho da mensagem.








