Às vésperas de iniciar setembro, o mês da mobilidade urbana, a cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), Norte Fluminense, enfrentou um dia de fúria no setor nesta sexta-feira (30). Permissionários de vans com ajuda de passageiros fecharam as principais rodovias do município em protesto contra o novo Sistema Integrado de Transportes.
Eles alegam que o sistema privilegia os empresários de ônibus, asfixiando as vans como transporte complementar.
Em alguns locais, com queima de pneus, o trânsito foi interrompido, exigindo ajuda de corpo de bombeiros, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal. Imagens dos protestos foram difundidas pelas redes sociais.
Por meio de entrevista a um emissora de TV local, o presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Felipe Quintanilha, ameaçou cassar as autorizações de funcionamento “de permissionários que estiverem incitando manifestações violentas”.
“São ações orquestradas por grupo minoritário. Temos áudios em que é falado em colocar fogo em ônibus, fogo em vans, parar pessoas no meio do caminho. Vamos punir todos aqueles que estão incitando a violência e até mesmo cassar as permissões”, disse.
Quintanilha afirmou que um relatório será encaminhado à Polícia Civil e Ministério Público.
“Estamos olhando de frente para resolver o problema do cidadão campista que há 10 anos sofre com o transporte público e que no dia de hoje teve o seu direito de ir e vir obstruído. Não podemos admitir o que aconteceu hoje. Não é com desordem, fechando ruas que se resolve alguma coisa. Estaremos sempre abertos ao diálogo”, afirmou o presidente do IMTT.
A crise no sistema de mobilidade local é inquestionável, assim como desgaste do presidente do IMTT, que enfrenta protestos e questionamentos de vereadores até da bancada governista.
Por meio de uma postagem em sua conta no Instagram e Facebook, o pré-candidato à Prefeitura de Campos, Caio Vianna (PDT), chegou a sugerir ao prefeito Rafael Diniz a demissão de Quintanilha.
https://www.instagram.com/p/B1zTzbkJISX/
O presidente do IMTT, no entanto, diz que os problemas são decorrentes do período de transição para a instalação da bilhetagem eletrônica “e que nada acontece diferente ao contrato do novo sistema de transporte público”.
“A instalação dos equipamentos de bilhetagem é de responsabilidade das empresas concessionárias e permissionários”, diz.
“Estamos implantando um sistema de transporte para atender 503 mil usuários. Estamos nas áreas central e distritais retomando linhas há anos abandonadas e implantando novas. Temos sim problemas pontuais e vamos resolver. Mas não é interesse privado que vai impedir que a população tenha um sistema de qualidade, destacou.
https://www.instagram.com/p/B1ydZnWJuQ2/
A crise no sistema de mobilidade esquenta o debate local e aumenta a pressão sobre o presidente do IMTT. O pré-candidato à Câmara de Vereadores, Thiago Rangel, postou um vídeo em sua rede social afirmando que Quintanilha “é o bilheteiro de um Titanic”. Já o prefeito Rafael Diniz acompanha a crise com cautela e não se manifestou sobre os episódios desta sexta-feira.







