*Reportagem Especial
A pressão sobre os trabalhadores na linha de produção de aviões estariam entre as causas dos defeitos de fabricação de aeronaves da Boeing.
Documentos obtidos pelo jornal The New York Times comprovam que a fabricante norte-americana prioriza a rapidez na produção em detrimento da qualidade.
A denúncia vem a público no momento em que a gigante do mercado de aviação é alvo de investigações, em função de uma série de acidentes envolvendo o modelo 737 MAX.
Todos os voos deste modelo foram suspensos depois de duas catástrofes: uma com um avião da companhia aérea da Indonésia Lion Air, em 29 de outubro de 2018, e a da Ethiopian Airlines em 10 de março, que juntas mataram 346 pessoas.
A fabricante também teve que congelar mais de 4.600 encomendas do aviões, além de enfrentar uma investigação criminal federal nos EUA, que apura o processo de certificação do 737 MAX.
RAPIDEZ X QUALIDADE
O The New YorK Times destaca que a fabricante pressionou os trabalhadores para acelerarem a produção, ignorando reclamações sobre potenciais riscos de segurança e fabricação defeituosa.
A reportagem é baseada em “centenas de páginas de e-mails internos, documentos corporativos e registros federais”.
De acordo com a agência Sputnik News, que repercutiu a reportagem, “o jornal entrevistou vários funcionários e ex-funcionários de uma fábrica que produz o modelo 787 Dreamliner, e analisou documentos internos revelando uma cultura que frequentemente valoriza a rapidez de produção acima da qualidade”.
DENÚNCIAS DE TRABALHADORES
Os trabalhadores registraram inúmeras queixas de segurança junto do governo federal sobre questões que vão desde práticas de fabricação de má qualidade até instrumentos e detritos deixados em aviões.
As queixas também mencionam a pressão da empresa para que os funcionários não denunciem violações da regulamentação às autoridades.
“Uma análise do New York Times de centenas de páginas de e-mails internos, documentos corporativos e registros federais, bem como entrevistas com mais de uma dúzia de funcionários atuais e antigos, revela uma cultura que muitas vezes valoriza a velocidade de produção em detrimento da qualidade. Enfrentando longos atrasos de fabricação, a Boeing empurrou sua força de trabalho para rapidamente transformar a Dreamliners, às vezes ignorando as questões levantadas pelos funcionários”, diz um trecho da reportagem.
A investigação constatou que os trabalhadores da Boeing instalaram partes defeituosas em aviões nessa fábrica e que algumas aeronaves realizaram voos de teste com instrumentos e aparas de metal dentro do motor ou da cauda, criando riscos significativos de segurança.
OUTRO LADO
Um porta-voz da Boeing enviou ao canal de televisão CNBC um memorando interno enviado hoje aos funcionários da Boeing por Brad Zaback, vice-presidente e diretor-geral do programa 787 da Boeing.
“Uma história publicada no New York Times de hoje, entretanto, dá uma imagem distorcida e imprecisa do programa e de nossa equipe aqui na Boeing South Carolina. Esse artigo apresenta informações distorcidas, refazendo histórias antigas e rumores que há muito foram descartados”, diz o documento.








