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A filosofia da linguagem

Caminho do ser e do conhecer: dialética e imitação em Platão na busca do saber

João Vicente Por João Vicente
24/03/2019 - 20:17 - atualizado em 27/03/2019 - 06:41
em Cultura
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Linguagem

Ilustração: Reprodução

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A linguagem, discutida desde a Antiguidade grega, com Platão, Aristóteles e os estoicos, nunca perde seu interesse, reinventando-se através de disciplinas de feições filosóficas, como a Linguística, a Semiologia e a Semiótica, principalmente, e vem colocando, ao longo dos tempos, de antes e de agora, a questão de sua arbitrariedade e referencialidade.

A despeito daqueles que dizem que não há propriamente uma filosofia da linguagem em Platão, é preciso entender o que se chama Filosofia.

A BUSCA DO SABER

Para Platão, Filosofia é e sempre será a busca de um saber por excelência, e não meramente um certo saber, que se condensa numa doutrina fixa e imutável. Sendo assim, é possível falar de uma Filosofia da Linguagem em Platão, ainda que se trate de saber, neste autor, como foram criados os nomes, o que não deixa de ter sua importância radical e fundamental, o que nos leva, inevitavelmente, à passagem bíblica em que Deus delega poderes a Adão para que ele nomeie as coisas criadas por Deus.

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LINGUAGEM E NOMES

A linguagem oral e o que significa falar, o que falar quer dizer? Que relação há entre os nomes que proferimos e os seres que entendemos por intermédio destes nomes, já apontando para a arbitrariedade do signo, com Saussure?

No diálogo “Crátilo”, Platão levanta a questão sobre a constituição, função e uso dos nomes, verificando a possibilidade de certa correção.

Os nomes são puro efeito de um acordo prévio, como uma convenção, ou há uma forma natural, e por isso correta, de denominar as coisas com acerto?

Segundo a versão convencionalista, os nomes são criações do arbítrio humano. Assim, cada pessoa pode denominar as coisas como bem lhe convier, não havendo uma relação necessária entre nome e ser (seja uma coisa, objeto ou ação)?.

Esta posição nos leva a um extremo relativismo, pois se os nomes são usados para nos instruir, distinguindo as coisas e informando-nos uns aos outros, a comunicação e o entendimento tornam-se impossíveis.

No entanto, é possível se pensar que, para cada ser ou ação, há um instrumento adequado. Por exemplo, para se cortar algo, não fazemos com o que nos convém, mas com o modo natural de fazê-lo, e com o instrumento adequado para cortar.

Assim, também, ocorre com o furar, com o queimar, etc. Sempre se faz segundo imperativos naturais e não de acordo com a fantasia de cada um. Desse modo, falar também é uma ação, deveria ser segundo a forma natural, e o instrumentado  adequadamente para tal.

O instrumento do falar é o nome. Porém, nem todo mundo fala corretamente. Senão, não haveria o falar falso. O nome, pois, possui um modo de ser, de representar o objeto, caracterizando seu valor de verdade ou falsidade.

Assim também o discurso, que é composto de nome, depende da aplicação de nomes verdadeiros para ser um discurso verdadeiro, ou do uso de nomes falsos, para ser falso.

Mas é possível se fazer nomes falsos? O que seria isso? Como mostrar que é possível se falar falso?

Os nomes, na verdade, correspondem às coisas, pois são uma espécie de imitação dos seres.

Para fugir dessa forma de relativismo, Platão entende, no entanto, como toda imitação, ou seja, não sendo uma cópia perfeita (o que implicaria em ser duas coisas e não um modelo e uma cópia), deve basear-se nos caracteres ou qualidades essenciais a serem imitados, sem os quais o nome tornar-se-ia imperfeito.

O modo natural de fazer os nomes, portanto, deve levar em conta o conhecimento do modelo, isto é, do ser, para se fazer a imitação.

Essa constituição é feita pela lei ou pelo legislador (nomoteta) que é acompanhado pelo dialético (aquele que sabe perguntar e também responder), assegurando, assim, não uma perfeita constituição do nome, mas uma imitação que aproxime ao máximo e melhor para a compreensão da realidade.

Dessa forma, nem convencionalismo, nem naturalismo. O homem deve conhecer primeiro os seres (ontologia) para depois dar nomes a eles.

Parece controverso, mas confiar nos nomes, para conhecer os seres, pode nos levar a enganos e ilusões, já que a imitação não é sempre perfeita. Nem também se deve deixar de fazer a imitação, já que parece ser o único modo de construir dialeticamente a realidade. O dialético busca a convenção estabelecida.

 

Tags: #Filosofia#Linguagem#Platão
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