Países reduzem financiamento da dívida norte-americana, desatrelando o mundo da hegemonia do dólar;
Foto: Getty Images / Christopher Furlong
China e Japão, os dois principais detentores de títulos do Tesouro dos EUA, reduziram sua participação nesses títulos e bônus em agosto, de acordo com os últimos números do Departamento do Tesouro dos EUA, divulgados na terça-feira (16).
A participação da China na dívida soberana dos EUA caiu de US$ 1,171 trilhão em julho para US$ 1,165 trilhão em agosto, marcando o terceiro mês consecutivo de quedas. A segunda maior economia do mundo está impulsionando sua moeda nacional em meio a tensões comerciais com os EUA.
Contudo, a China continua sendo a maior detentora estrangeira de títulos do Tesouro dos EUA, seguida pelo Japão, aliado de longa data dos EUA.
Tóquio cortou sua participação de títulos dos EUA US$ 1,035 trilhão em em julho para US$ 1,029 trilhão em agosto, a menor desde outubro de 2011. De acordo com os últimos números do Ministério das Finanças do país, os investidores japoneses optaram por comprar a dívida britânica em agosto, vendendo títulos americanos e alemães. O Japão supostamente liquidou uma dívida líquida de US$ 5,6 bilhões.
EFEITO DA GUERRA COMERCIAL
Liquidar os títulos do Tesouro dos EUA, um dos ativos financeiros mais ativamente negociados no mundo, recentemente se tornou uma tendência entre os principais detentores. A Rússia despejou 84% de suas participações neste ano, com as participações remanescentes em junho totalizando apenas US$ 14,9 bilhões. Com as relações entre Moscou e Washington em seu ponto mais baixo em décadas, o Banco Central da Rússia explicou que a decisão foi baseada em riscos financeiros, econômicos e geopolíticos.
Turquia e Índia seguiram o exemplo. Como a Rússia, a Turquia caiu da lista dos 30 principais detentores de dívida americana após um conflito com Washington sobre a tentativa de golpe militar no país dois anos atrás. Enquanto a Índia permanece entre as 30 melhores, o país cortou suas participações no Tesouro dos EUA pelo quinto mês consecutivo, de US$ 157 bilhões em março para US$ 140 bilhões em agosto.
No início desta semana, o Goldman Sachs disse que a política dos EUA de sanções e tarifas contra as principais economias, incluindo Rússia, China e Irã, arrastou para baixo a participação do dólar nas reservas globais dos bancos centrais.
Enquanto isso, os dados do Fundo Monetário Internacional confirmam que a participação do dólar norte-americano nas reservas do Banco Central caiu para 62,3% de abril a junho, enquanto as participações no euro, iene e iuan aumentaram como parcela das reservas alocadas.
*RT








