Crime de ódio se prolifera com a aproximação do segundo turno das eleições no Brasil; Leia e saiba mais:
Foto: Ponte Jornalismo
Uma travesti identificada até o momento como Priscila foi assassinada no centro de São Paulo na madrugada de terça-feira (17) aos gritos de “Bolsonaro presidente”. O crime ocorreu no Largo do Arouche, no centro.
“É bem comum discussão aqui nessa região. Sempre tem um vidro quebrando, garrafa. Não é a primeira vez que acontece. O problema é que dessa vez estava bem alto. Eu abri a janela e consegui ver que tinha umas quatro ou cinco pessoas discutindo na frente do bar”, afirmou ao site Ponte Jornalismo uma testemunha que preferiu não se identificar.
Ainda de acordo com a testemunha, no meio da briga foi possível ouvir os gritos de “Bolsonaro presidente” e “com Bolsonaro presidente, a caça aos viados vai ser legalizada”.
A travesti foi socorrida, levada à Santa Casa de Misericórdia, mas morreu no caminho. Até o momento, o corpo não foi reconhecido e o boletim de ocorrência foi registrado no 3º Distrito Policial, nos Campos Elíseos.
Este não é o primeiro crime de ódio com contornos eleitorais. No dia seguinte ao primeiro turno, em 8 outubro, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, conhecido como Moa do Katende, foi morto com 12 facadas em Salvador. De acordo com testemunhas, o agressor, que já está preso, defendia Bolsonaro.
Após o incidente, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que lamentava as agressões, mas não tinha o “controle” de seus seguidores. Posteriormente, o político do PSL afirmou que dispensava o voto de “de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim”.
NORTE FLUMINENSE
Na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, no Norte Fluminense, dois jovens foram baleados na madrugada de sexta-feira (12) por um homem que desceu de um Jetta branco. C.N.F., de 20 anos, e A.S.C., de 19 anos, (os nomes estão abreviados por questão de segurança) estavam próximos ao Centro Social Urbano (CSU de Guarus), na Travessa Santo Elias, no bairro Jardim Carioca. Eles narram que saiam do Clube de Regatas Rio Branco, onde participaram de uma festa.
Segundo as vítimas, antes de efetuar os disparos, o homem perguntou seu os jovens eram eleitores de Bolsonaro. A Inter TV, afiliada à Rede Globo, informou que o carro tinha placa da cidade Lençóis Paulista. O caso está sendo apurado pela 146ª Delegacia.
Na última semana, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenou as agressões praticadas no Brasil durante as eleições deste ano. Em nota, a porta-voz do escritório, Ravina Shamdasani, fez, ainda, um apelo aos líderes políticos, pedindo que se mobilizem para refrear as ocorrências.
“Nós condenamos quaisquer atos de violência e pedimos uma investigação imediata, imparcial e efetiva desses acontecimentos. O discurso violento e inflamado presente nessas eleições, sobretudo contra LGBTI, mulheres, afrodescendentes e aqueles com diferentes visões políticas, é profundamente preocupante, particularmente em razão dos relatos de violência cometida contra esses indivíduos”, diz a representante no informe.
*Agência VIU! com Sputnik Brasil








