Vazou um áudio em que o presidente da Câmara de Vereadores de São João da Barra, Aluízio Siqueira (PP), fala o que deve e “quem deve” no caso envolvendo a empresa Campostur, que está sob intervenção do Detro-RJ à pedido do legislativo municipal. Ele foi gravado durante reunião com funcionários da empresa.
Siqueira critica a gestão que teria levado a empresa de ônibus ao fundo do poço. Diz, por exemplo, que durante a gestão da irmã de Alcinea Lima (proprietária) tudo estava caminhando bem. O negócio desandou, segundo explica, na troca de comando.
Mas neste tópico tem um detalhe que ele não fala: quem assumiu o negócio pós-família foi Felipe Quintanilha. Atualmente o moço é secretário de Controle, Gestão e Transparência na Prefeitura de Campos dos Goytacazes. Está mandando e desmandando no governo Rafael Diniz (PPS). Internamente e externamente é apontado como prefeito de fato, devido tamanha notoriedade que gostar de ostentar.
Foi o cara que entrou na Campostur como salvador da pátria, após uma passagem meteórica em um dos governos Carla Machado, com quem nunca mais trabalhou, diga-se de passagem. Encontrou na Campostur 20 ônibus circulando, saiu da empresa deixou apenas dois em condições inadequadas de uso e um legado que dispensa comentários.
Tirando Quintanilha do caminho, tem ainda outras questões gritantes: a dívida da Prefeitura de São João da Barra com a empresa chega a R$ 4 milhões. O governo municipal adotou o seguinte critério: “devo, não nego, e só pago se a justiça mandar”. É o que se deduz no áudio com a voz do presidente da Câmara, que recomenda os rodoviários processarem a empresa e a empresa processar a Prefeitura. Só assim, segundo ele, a dívida será quitada.
Siqueira também não esconde que faz uso da pedagogia do ressentimento em relação a Campostur. Não nega que sua atuação junto ao Detro, por meio de ofícios, para intervenção nas linhas entre Campos e São João da Barra e dispara contra a empresária Alcinéa Lima. “Eu não fui a Dubai e não fui a Paris”, alfineta.
Não foi, certamente, porque não quis, porque é um homem próspero sob o ponto de vista financeiro e não tem do reclamar desde que iniciou na vida pública. Enquanto isso, em meio as trocas de farpas, a Campostur foi substituída pela 1001 nas linhas intermunicipais e não está pagando o salário dos funcionários. Outro trecho interessantíssimo do áudio, é quando o presidente da Câmara de Vereadores revela ou confessa, que está procurado por empresários para tentar receber dívidas com o município. Ele, no entanto, precisa tomar cuidado. Imagine se uma autoridade atenta interprete essas coisas como tráfico de influência. O bicho pega.







