São João da Barra, no Norte Fluminense, prorroga contrato com a União Norte, empresa ligada a Picciani e que dançou na Lava Jato;
Alguém precisa explicar o que leva a limpeza urbana em São João da Barra, Norte Fluminense, custar tão caro ao bolso do contribuinte. Para recolher o lixo na cidade com pouco mais de 30 mil habitantes, a Prefeitura vai gastar R$ 16 milhões em seis meses, de acordo com a prorrogação do contrato com a empresa União Norte. A prorrogação em si já configura uma aberração, já que a lei determina a realização de licitação pública.
Não é necessário viajar muito longe para traçar algumas comparações. Na cidade de São Francisco de Itabapoana, que tem extensão territorial bem maior do que São João da Barra, o mesmo serviço tem o custo de R$ 6 milhões. Em Quissamã, o custo é R$ 5 milhões e Campos dos Goytacazes, com 500 mil habitantes, gasta R$ 25 milhões por semestre e R$ 50 milhões anuais.
QUANDO O LIXO É PROBLEMA
Lixo é uma fonte e problemas em algumas cidades. Em dezembro do ano passado, deu bronca em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A Operação Barusca, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) e a Polícia Federal (PF), desmontou o esquemão que beneficiava a empresa Prime. A operação prendeu agentes públicos, empresários e outras figuras envolvidas no negócio.
Em São João da Barra, a União Norte reina absoluta sem qualquer questionamento dos órgãos de controle externo. Mesmo depois da revelação de que a empresa é ligada ao deputado Jorge Picciani (preso na Operação Cadeia Velha), e que um dos diretores fez delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, tendo confessado pagamento de propinas em contratos com o governo estadual.
Detalhe curioso em São João da Barra é que o contrato foi ungido pela antiga composição do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), aquela em que os conselheiros saíram presos. Talvez, seja hora de buscar os responsáveis pela licitação no município. Devem ter muito o que explicar.
Causa, no mínimo, estranhesa que a Câmara de Vereadores nunca tenha se preocupado em questionar os valores de serviço que foi generosamente reajustado pela administração pública ao longo dos anos. Por outro lado, é notável que alguns parlamentares são vigilantes com o cumprimento do pagamento à empresa. Um deles, segundo fontes fidedignas, chega a fiscalizar pessoalmente, por meio de telefonemas, a pontualidade dos depósitos.
Lixo é algo fedorento, mas em algumas cidades pelo país afora, costuma promover a alegria geral entre a classe política. Há relatos de que num desses municípios brasileiros, o lixo chegou a garantir um mensalão de R$ 30 mil para um legislativo até 2016. Esse não deve ser o caso de São João da Barra, terra de políticos honestos e acima de qualquer suspeita.








