Esporte mais popular do planeta mergulha no caos com a prisão de dirigentes da Fifa denunciados por corrupção, entre eles o ex-presidente da CBF |
Por Mike Collett e Brian Homewood |
Agência Reuters |
ZURIQUE – Sete dos dirigentes mais poderosos do mundo do futebol, incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin, podem ser extraditados para os Estados Unidos para enfrentar acusações de corrupção após serem presos nesta quarta-feira (27/05) na Suíça, onde as autoridades anunciaram ainda uma investigação criminal sobre a escolha das sedes das duas próximas Copas do Mundo.
O esporte mais popular do planeta mergulhou no caos depois que autoridades norte-americanas e suíças divulgaram inquéritos separados sobre as supostas irregularidades na Fifa.
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Autoridades dos EUA declararam que um total de nove dirigentes do futebol e cinco executivos dos ramos de mídia e marketing esportivo enfrentam acusações de corrupção envolvendo mais de 150 milhões de dólares em suborno.
Marin, que presidiu a CBF de 2012 a abril deste ano e foi o presidente do comitê organizador local da Copa do Mundo de 2014, está entre sete dirigentes da federação internacional presos em Zurique. Atualmente, ele ocupa um cargo no comitê organizador dos torneios olímpicos de futebol da Fifa e uma das vice-presidências da CBF.
Em nota, a CBF disse que os acontecimento na Suíça são “graves”, mas vai esperar a conclusão da investigação sem fazer qualquer julgamento. Já o novo presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, afirmou que as supostas irregularidades em contratos firmados pela CBF com patrocinadores e detentores de direitos de transmissão de eventos esportivos foram firmados pela confederação antes da gestão de Marin, que substituiu Ricardo Teixeira.
“Não tem nenhum contrato firmado pós-Marin”, disse ele a jornalistas na Suíça.
O suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa, não está entre os indiciados, mas a lista inclui vários subordinados diretos dele na hierarquia da entidade. Blatter prometeu “extirpar qualquer irregularidade no futebol” e disse em comunicado que as investigações vão ajudar a reforçar as medidas já tomadas pela entidade.
A Fifa suspendeu provisoriamente os sete dirigentes presos na quarta-feira de quaisquer atividades relacionadas com o futebol.
Escândalo na Copa América
Uma das denúncias do Departamento de Justiça dos Estados Unidos se refere a um caso milionário de subornos na Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para a atribuição dos direitos comerciais de três edições da Copa América e de seu torneio do centenário.
Segundo a acusação, a empresa Datisa, fundada em 2013, ganhou neste ano os direitos comerciais exclusivos para transmitir a Copa América de 2015, 2019 e 2023, e a Copa América Centenário, que será disputada no próximo ano.
Mas, para conseguir os direitos, a Datisa desembolsou grandes subornos.
“Concordou em pagar 100 milhões de dólares em subornos a funcionários da Conmebol, que eram funcionários da Fifa, em troca de contratos da Copa América (acordados em) 2013: 20 milhões pela assinatura do contrato e 20 milhões para cada uma das quatro edições do torneio”, segundo o documento.
O Departamento de Justiça disse que cada pagamento de 20 milhões de dólares era dividido em três milhões de dólares para o presidente da Conmebol, três milhões para o presidente da confederação brasileira e três milhões para o chefe da associação da Argentina. Cada um dos líderes das outras sete federações levava 1,5 milhão de dólares.
A denúncia aponta como envolvidos neste esquema o uruguaio Eugenio Figueredo, o venezuelano Rafael Esquivel, o paraguaio Nicolás Leoz e o brasileiro José Maria Marin, que está entre os sete dirigentes presos nesta quarta-feira por acusação de corrupção.
Entre outros detidos estão Figueredo, Esquivel, o presidente da federação de Costa Rica, Eduardo Li, e o nicaraguense Julio Rocha.
Nesta quarta-feira (27/05), no Brasil, o senador Romário (PSB-RJ) protocolou requerimento solicitando a criação de comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado para investigar a CBF. O pedido, segundo a Agência Senado, tem as assinaturas de 52 senadores, mais da metade da composição da Casa.
— Este é o momento de definitivamente moralizarmos o nosso futebol, e não podemos perder a oportunidade. Esperamos desmontar de uma vez por todas essa caixa-preta que existe dentro da CBF — afirmou o senador.
*Com participação de Javier Leira








