Legenda reconduz ex-deputado Glauco Lopes ao comando partidário em Macaé e tenta atrair o vereador Rafael Diniz para projeto de candidatura própria em Campos
O PSDB vai buscar uma revitalização no Estado do Rio de Janeiro. O projeto passa por mudanças radicais na direção de alguns diretórios e comissões provisórias. O deputado Federal Otávio Leite é um forte candidato a pilotar as mudanças, caso assuma a presidência do diretório regional, cargo para o qual o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha não poderá se reeleger, de acordo com as normas estatutárias.
O caminho para essas mudanças foi delineado em uma recente reunião da legenda, no Rio de Janeiro, quando ficou cristalino que a reformulação será inevitável para que o partido detentor da terceira maior bancada no Congresso (só fica atrás do PT e PMDB), que perdeu a última eleição presidencial por uma fração de votos, esteja reestruturado para o grande projeto sucessório de 2016 e 2018.
Aliás, a sucessão da presidente Dilma Rousseff também passa pela disputa municipal. Uma legenda bem colocada na maior parte dos municípios brasileiros, principalmente nas capitais do país e cidades de porte médio, terá peso em uma disputa nacional. É a trilha também para tentar a hegemonia da década de 90, quanto Fernando Henrique Cardoso governava o país, Marcelo Alencar o estado do Rio, Mário Covas estado de São Paulo e Aécio Neves o estado de Minas. Foi uma década dourada para o tucanato, só encerrada com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder.
Mudanças em Macaé
Na cidade de Macaé, no Norte Fluminense, o ex-deputado Glauco Lopes foi reconduzido à presidência do diretório municipal. O partido tem cerca de cinco mil filiados na cidade, mas a maior parte é inativa. O grande desafio será reagrupar o rebanho neste município que é base da operação de petróleo na Bacia de Campos.
O ex-prefeito Sílvio Lopes, cacique tucano local, é o pai de Glauco. Gosta da ideia de candidatura própria, embora ainda não se discuta nomes. O filho que foi deputado por dois mandatos na Alerj mantém uma boa relação com o prefeito da cidade Dr. Aluízio, com quem almeja compor chapa na condição de vice.
O prefeito, recém-filiado ao PMDB, é candidato à reeleição em 2016 e tem outros pretendentes. O ex-deputado, ainda assim, vislumbra uma dobrada, muito embora o PSDB regional almeje o protagonismo onde haja condições estruturais.
Enquanto isso…

Na cidade de Campos, o projeto é mais audacioso. A legenda tem comissão provisória e integra o governo Rosinha Garotinho. O caminho poderá ser uma saída estratégica. O diretório local foi desmembrado depois de ser atropelado por uma clausula de barreira que impunha a conquista de um mínimo de 8% de votos na eleição do ano passado. O PSDB em Campos conquistou menos de 1%.
O integrante Robson Colla quase foi nomeado presidente de uma Comissão Provisória, mas quando os nomes foram apresentados na reunião da regional, a pretensão esbarrou nos questionamentos de Octávio Leite, que defende uma medida ainda mais radical, que é a saída do governo Rosinha. Colla atua no Centro de Informações e Dados (Cidac), nomeado pela prefeita desde o início da primeira gestão em 2009.
Interessante observar que desta reunião participaram o vereador Rafael Diniz, atualmente filiado ao PPS local. Ele é opositor do governo Rosinha. Também participou o seu principal assessor, o advogado José Paes Neto. Um grupo de Macaé que presenciou os desdobramentos deste encontro avalia que o vereador está a um passo de ingressar no ninho tucano e tornar-se um virtual candidato à prefeitura pela legenda. Diniz avalia se permanecerá no PPS após a fusão com o PSB. Seu pai, o ex-vereador e ex-deputado Sérgio Diniz (já falecido) foi um dos fundadores da legenda, na qual seu avô José Carlos Vieira Barbosa (também falecido) chegou a se filiar. Portanto, o ninho tucano pode ser o destino nesses tempos de incerteza partidária.
Tudo indica que o usineiro Geraldo Coutinho voltará ao comando do PSDB na terra do chuvisco, e volta com o discurso de que o compromisso da legenda com o PR acabou em 2012. Na atual conjuntura, o partido é totalmente desprovido de corpulência para uma disputa majoritária. O melhor momento no cenário local foi na eleição de 2004, quando o então candidato à prefeitura Paulo Feijó ficou em terceiro lugar na disputa pela prefeitura, deixando de disputar o segundo turno por uma diferença de 20 mil votos em relação ao segundo colocado naquele pleito. Atualmente o deputado Feijó é filiado ao PR.
Mas o tucanato local deve ganhar um novo núcleo decisório, com o jornalista Luiz Mário Concebida, o comerciante Murilo Dieguez, o economista Ranulfo Vidigal e o vereador Diniz, caso assine a ficha de filiação.
O desafio dos tucanos nesta cidade será descomunal. Primeiro terão que pensar numa reestruturação, para em seguida estudar uma fórmula de vencer o poderio da máquina municipal sob o comando do grupo do ex-governador Anthony Garotinho.
No momento o PSDB regional enxerga números e observa o cotidiano. O recente levante de professores da rede municipal que paralisou 95% das escolas fez o PSDB regional vislumbrar um caminho na oposição local. Mas, o possível ingresso da deputada Clarissa Garotinho, filha da prefeita Rosinha, pode mudar o rumo da prosa.








