A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (14), a Operação Fidúcia para investigar suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos destinados ao Hospital Armando Vidal, em São Fidélis (RJ), no Norte Fluminense. No centro das apurações está uma licitação de mais de R$ 9 milhões para obras na unidade hospitalar, que atende a população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A operação cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Fidélis e Campos dos Goytacazes. Entre os alvos apontados nas informações obtidas pela reportagem estão endereços ligados a empresários, servidores e à Fiel Construções e Serviços Ltda., empresa de Campos associada às obras de ampliação do hospital.
A investigação lança luz sobre uma contratação realizada em 2022, durante a gestão do ex-prefeito Amarildo Alcântara, e traz de volta questionamentos sobre o andamento das obras e a aplicação dos recursos destinados à saúde pública.
Segundo a Polícia Federal, a investigação conjunta com a CGU identificou problemas graves no procedimento licitatório, incluindo a inversão das etapas de elaboração do projeto e contratação da empresa responsável pelos serviços.
Os investigadores também encontraram indícios de irregularidades envolvendo empresas participantes da disputa, possível utilização de pessoas como “laranjas” e suspeitas de participação de servidores públicos e empresários.
A apuração busca esclarecer se houve direcionamento da contratação, quem participou das possíveis irregularidades e qual foi a destinação dos recursos. Os procedimentos foram iniciados no período da pandemia da covid-19 e na ocasião, um acordo judicial, permitiu que a Prefeitura indicasse os gestores da unidade hospital por meio de uma gestão compartilhada.
Os investigados poderão responder por fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e associação criminosa, conforme as responsabilidades que venham a ser demonstradas.
O valor superior a R$ 9 milhões corresponde à licitação investigada. Isso não significa que todo esse montante tenha sido efetivamente desviado.
Fiel Construções já enfrentava denúncias de fornecedores
A empresa Fiel Construções e Serviços Ltda., apontada como responsável pelas obras de ampliação do Hospital Armando Vidal, já havia sido alvo de reclamações públicas antes da operação policial.
Em março de 2025, a Fiel foi denunciada por fornecedores locais que afirmavam ter sofrido prejuízos após prestar serviços ou fornecer produtos para a empresa.
Entre os relatos estavam cobranças por materiais de construção, alimentação, hospedagem, aluguel de imóveis e outros serviços utilizados durante a execução das obras.
A alguns fornecedores, na ocasião, alegaram prejuízos que chegavam a R$ 200 mil e R$ 300 mil. Uma das pessoas entrevistadas em um site local afirmou que havia recorrido à Justiça, mas demonstrava preocupação com a possibilidade de recuperar o dinheiro.
Foram publicada também áreas da ampliação hospitalar que, naquele momento, permaneciam sem conclusão.
A denúncias mostram que a execução das obras já provocava questionamentos antes da Operação Fidúcia. De acordo com levantamento da Agência Fonte Exclusiva, a situação cadastral da Fiel Construções constava como inapta por omissão de declarações nesta quarta-feira (14).
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Contratação ocorreu durante gestão anterior
O atual prefeito de São Fidélis, José William, também se manifestou sobre a Operação Fidúcia. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que os fatos investigados ocorreram em 2022, antes de sua gestão, e sustentou que a atual administração municipal não é alvo da investigação.
“Temos zelo com o dinheiro público, tomando todos os cuidados, obedecendo à lei e tratando o dinheiro público como ele merece e deve ser tratado”, declarou.
As obras investigadas remontam a 2022, quando São Fidélis era administrada pelo ex-prefeito Amarildo Alcântara.
O Hospital Armando Vidal é uma instituição filantrópica conveniada com o poder público e recebe recursos para prestar atendimento à população.
Os procedimentos envolvendo a empresa Fiel teriam sido objeto de questionamentos anteriores no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), com posterior encaminhamento da apuração à esfera federal em razão da origem dos recursos.
A operação também alcançou um ex-gestor do hospital que posteriormente exerceu funções na Fundação Municipal de Saúde de Campos dos Goytacazes, durante a administração do ex-prefeito Wladimir Garotinho.
Investigação busca esclarecer destino dos recursos
A operação abre uma nova etapa na apuração das contratações realizadas para o Hospital Armando Vidal.
Além das suspeitas de irregularidades na licitação, permanecem questões sobre os valores efetivamente pagos, os serviços executados, a situação das obras e a eventual existência de prejuízo aos cofres públicos.
O material recolhido durante as buscas deverá ajudar os investigadores a reconstruir o processo de contratação e identificar possíveis responsabilidades.
Para a população de São Fidélis, a principal preocupação é saber se o dinheiro destinado à ampliação do hospital foi corretamente aplicado e quais providências poderão garantir a conclusão dos serviços previstos.
A investigação está em andamento. As suspeitas ainda não representam condenação, e os citados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.
*Da Agência Fonte Exclusiva.







