Os desdobramentos do caso Banco Master começaram a produzir reflexos também dentro do Ministério Público Federal.
A divulgação de referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em mensagens relacionadas a Daniel Vorcaro aumentou o desconforto entre integrantes da instituição e abriu uma nova frente de pressão sobre o chefe da PGR.
Segundo reportagem da revista Veja publicada no sábado (12), membros da própria cúpula da Procuradoria reconhecem que existe forte insatisfação na carreira, especialmente entre procuradores que atuam na primeira instância.
A reação ganhou força depois que o nome de Gonet apareceu em relatório produzido pela Polícia Federal a partir de materiais ligados ao ex-controlador do Banco Master.
Nos diálogos analisados pelos investigadores, Vorcaro mencionava o procurador-geral como alguém que, segundo sua própria percepção, poderia ajudá-lo em questões relacionadas às investigações e à sua situação judicial.
Menções não comprovam atuação irregular
As referências feitas por Vorcaro não demonstram, por si só, que Paulo Gonet tenha praticado qualquer irregularidade ou atendido a pedidos do ex-banqueiro.
O procurador-geral nega ter interferido em investigações ou atuado de maneira ilegal em benefício do empresário.
Gonet sustenta que os contatos mantidos com Vorcaro foram limitados e rejeita a existência de uma relação que pudesse comprometer sua atuação institucional.
Parecer sobre provas amplia questionamentos
Após a divulgação do relatório da Polícia Federal, a PGR defendeu a nulidade de atos relacionados à apuração das mensagens envolvendo Vorcaro e autoridades.
A manifestação argumentou que existiriam problemas jurídicos na forma como parte das informações foi obtida e utilizada durante a investigação.
A posição aumentou os questionamentos sobre a participação de Gonet na condução de procedimentos ligados ao Banco Master, justamente porque seu nome aparece entre as referências encontradas no material analisado pela PF.
Pressão cresce dentro e fora da PGR
De acordo com a Veja, integrantes da carreira demonstram descontentamento com a situação e cobram respostas mais claras sobre os episódios revelados nas últimas semanas.
A Associação Nacional dos Procuradores da República também passou a ser pressionada internamente a adotar uma posição mais firme diante da crise.
Entidades externas, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil e representantes de delegados da Polícia Federal, também defenderam que Gonet se afaste de procedimentos diretamente relacionados ao caso Master enquanto as circunstâncias forem esclarecidas.
Crise chega a órgãos internos do MPF
O impacto das revelações já ultrapassou o debate político. O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para analisar as referências ao nome do procurador-geral presentes no material investigado.
Ao mesmo tempo, Gonet pretende contestar as suspeitas e defender sua atuação institucional diante das discussões no Supremo Tribunal Federal.
O caso ocorre em meio a uma crise mais ampla envolvendo o Banco Master, integrantes do STF, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.
As apurações continuam, e as menções encontradas nos diálogos ainda precisam ser confrontadas com documentos, movimentações financeiras e outras provas antes que seja possível estabelecer eventual responsabilidade.
*Da Agência Fonte Exclusiva








