Macaé vai promover, nos dias 6 e 7 de outubro, a 1ª Conferência de Cuidados Paliativos. O evento será realizado no auditório da Câmara Municipal, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h, reunindo profissionais de saúde, estudantes, pesquisadores e cuidadores para discutir formas de oferecer uma assistência mais humanizada aos pacientes e seus familiares.
Organizado pela Secretaria de Saúde, por meio da Coordenação de Cuidados Paliativos, o encontro segue as diretrizes da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) e deve reunir profissionais que atuam em diferentes áreas e níveis de atendimento da rede municipal.
As inscrições ainda serão abertas. As informações sobre como participar serão divulgadas posteriormente no portal oficial da Prefeitura de Macaé.
Evento terá troca de experiências e capacitação
A conferência foi planejada para aproximar profissionais da Atenção Básica dos serviços de Média e Alta Complexidade, além das equipes que atuam na assistência e nas atividades do Polo de Oncologia.
A programação terá palestras com especialistas e momentos destinados à troca de experiências e ao aperfeiçoamento dos conhecimentos relacionados aos cuidados paliativos.
Entre as atividades previstas está o relato de experiência de um paciente acompanhado pelo Polo de Oncologia do Hospital Público de Macaé (HPM). Também haverá uma oficina artística conduzida pelo Coletivo Bons de Improviso.
O público poderá ainda conhecer trabalhos desenvolvidos no Rio de Janeiro pelo grupo Favela Compassiva.
Cuidados paliativos não significam apenas cuidados no fim da vida
A conferência também pretende esclarecer o conceito de cuidados paliativos e combater uma interpretação comum de que esse tipo de assistência deve ser oferecido somente nos momentos finais da vida.
A coordenadora municipal de Cuidados Paliativos, a psicóloga Paloma Soares, explica que a abordagem pode ser indicada para pessoas que convivem com doenças ou condições graves que afetam ou podem comprometer sua qualidade de vida.
A proposta é oferecer um cuidado individualizado, considerando não apenas os sintomas físicos, mas também as necessidades emocionais, sociais e familiares de cada paciente.
Em Macaé, o objetivo é fortalecer o planejamento das equipes e avançar na implementação da Política Municipal de Cuidados Paliativos, buscando integrar os diferentes serviços da rede de saúde.
OMS recomenda abordagem precoce
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define os cuidados paliativos como uma abordagem voltada à melhoria da qualidade de vida de pessoas que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida e também de seus familiares.
O atendimento envolve a prevenção e o alívio do sofrimento, com controle da dor e de outros sintomas. A assistência também considera aspectos psicológicos, sociais e espirituais.
A proposta não é antecipar nem prolongar a morte, mas proporcionar conforto, dignidade e qualidade de vida durante o processo de cuidado.
A OMS recomenda ainda que os cuidados paliativos sejam iniciados de forma precoce, inclusive de maneira simultânea ao tratamento de doenças graves, e não apenas quando as possibilidades terapêuticas se esgotam.
No Hospital Público de Macaé, as equipes trabalham com princípios como controle de sintomas, acolhimento dos familiares, respeito à autonomia e preservação da dignidade dos pacientes, em uma atuação que envolve diferentes profissionais.
Macaé criou estrutura própria para os cuidados paliativos
O município também vem organizando uma estrutura específica para ampliar a oferta de cuidados paliativos na rede pública.
Um dos principais marcos foi a Portaria Municipal nº 296/2025, que criou a Comissão Municipal de Cuidados Paliativos e formalizou a estrutura do serviço dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) municipal.
A comissão tem entre suas atribuições aproximar os serviços de Média e Alta Complexidade da Atenção Primária. A integração busca facilitar a construção de uma linha de cuidado contínua, permitindo o acompanhamento dos pacientes nos diferentes pontos da rede.
O grupo também participa da elaboração de planos de trabalho das equipes e da definição de estratégias para ampliar e organizar a política municipal.
Com a realização da primeira conferência, Macaé pretende ampliar o conhecimento sobre os cuidados paliativos e fortalecer uma rede de atendimento que leve em consideração as necessidades clínicas, emocionais, sociais e familiares dos pacientes, tendo como pilares a dignidade, a autonomia e a qualidade de vida.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








