A crise institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a colocar em pauta no Senado uma possibilidade que, até recentemente, era rejeitada por parte dos parlamentares: a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo na segunda-feira (7), senadores que anteriormente descartavam a ideia passaram a admitir que o tema pode ganhar força diante do aumento das divergências entre integrantes do Supremo e das disputas envolvendo o tribunal.
O ministro Alexandre de Moraes aparece no centro das discussões. A pressão sobre o magistrado aumentou após André Mendonça apresentar informações relacionadas a mensagens atribuídas a uma troca de comunicação entre Moraes e Daniel Vorcaro. O episódio ampliou o debate político em torno do ministro e, de acordo com a reportagem, fez com que até parlamentares próximos ao governo passassem a considerar a possibilidade de um pedido de afastamento avançar.
Sucessão no Senado influencia as articulações
Além da crise no STF, a discussão está ligada à disputa pelo comando do Senado a partir de 2027.
O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil), mantém uma relação política próxima de Moraes, mas enfrenta pressão de parlamentares alinhados ao bolsonarismo, que defendem a abertura de um processo contra o ministro.
Aliados de Alcolumbre avaliam que uma decisão mais concreta sobre eventuais pedidos de impeachment deve ficar para depois das eleições de 2026. A estratégia levaria em conta a nova composição do Senado e o equilíbrio de forças que será formado após a votação.
A eleição para a presidência da Casa está prevista para fevereiro de 2027. Até lá, a definição de quais grupos terão maior influência no Senado poderá ser determinante para o futuro de eventuais pedidos contra ministros do Supremo.
Nesse contexto, um processo envolvendo Moraes poderia acabar entrando nas negociações políticas pela presidência do Senado, funcionando como um dos temas de pressão entre diferentes grupos parlamentares.
André Mendonça também entra no radar
As articulações não estariam restritas a Alexandre de Moraes.
Segundo interlocutores citados pela reportagem, Davi Alcolumbre também teria discutido a possibilidade de um processo contra André Mendonça, ministro com quem possui divergências políticas.
Um dos argumentos considerados seria a alegação de que Mendonça teria descumprido procedimentos formais ao solicitar uma investigação relacionada a Moraes.
Até o momento, porém, essa possibilidade permanece no campo das discussões políticas. A menção a um eventual processo não significa que exista um procedimento de impeachment formalmente aberto contra Mendonça.
Senadores começam a rever posições
A mudança de postura de alguns parlamentares também chama atenção.
O senador Cid Gomes (PSB), que anteriormente se posicionava contra processos de afastamento de ministros do STF, passou a admitir a possibilidade de uma atuação do Senado caso, segundo sua avaliação, a própria Corte não consiga apresentar respostas para as controvérsias que vêm envolvendo seus integrantes.
A mudança ocorre em meio ao aumento da tensão entre Legislativo e Judiciário, com divergências sobre decisões do Supremo e a atuação de seus ministros ganhando espaço no debate político.
Apesar da pressão de setores do Senado, Alcolumbre historicamente se posiciona contra o afastamento de Moraes e mantém proximidade política com o ministro. Por isso, qualquer decisão sobre os pedidos deverá considerar não apenas a crise atual, mas também o resultado das eleições de 2026 e a composição da próxima legislatura.
Impeachment pode ganhar peso na disputa de 2027
Com a eleição para o comando do Senado se aproximando, a discussão sobre o afastamento de ministros do STF pode se tornar um dos principais pontos de negociação entre os grupos que disputarão espaço na próxima legislatura.
A definição sobre eventuais processos dependerá, entre outros fatores, da força política dos senadores eleitos em 2026 e da posição que o próximo presidente do Senado adotará diante das disputas envolvendo o Supremo.
Por enquanto, o tema permanece em fase de articulação política, mas a mudança de discurso de alguns parlamentares mostra que o impeachment de ministros da Corte voltou a ocupar espaço relevante dentro do Senado.
*Da Agência Fonte Exclusiva








