Mais de seis décadas dedicadas à dramaturgia fizeram de Gracindo Jr. um nome presente em diferentes momentos da história da televisão brasileira.
O ator e diretor morreu na noite de terça-feira (1º), aos 83 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada.
Batizado como Epaminondas Xavier Gracindo, ele nasceu no Rio de Janeiro em 21 de maio de 1943 e cresceu em uma família diretamente ligada às artes. Era filho de Paulo Gracindo, um dos grandes nomes da dramaturgia nacional.
A trajetória profissional começou ainda na adolescência. Aos 15 anos, Gracindo Jr. ingressou na Rádio Nacional, onde desempenhou funções como ator, redator e disc-jóquei. Antes de se dedicar integralmente à carreira artística, chegou a cursar Psicologia.
Nos palcos, estreou em 1961 na montagem de “A Escada”, de Oswald de Andrade. Pouco depois, também passou a trabalhar na televisão, acumulando experiências em emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi.
Em 1965, tornou-se parte do primeiro elenco da recém-criada TV Globo. Naquele período, esteve em produções como “Rosinha do Sobrado” e, posteriormente, “Padre Tião”.
A partir daí, consolidou uma longa trajetória nas novelas. Entre os trabalhos mais marcantes estão “Os Ossos do Barão”, “O Bem-Amado”, “O Casarão”, “Jogo da Vida”, “O Salvador da Pátria”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “Explode Coração” e “Celebridade”.
Em várias produções, Gracindo Jr. teve a oportunidade de trabalhar ao lado do pai. Um dos encontros mais simbólicos ocorreu em “O Casarão”, de 1976. Os dois interpretaram o mesmo personagem, João Maciel, em diferentes fases da vida.
O ator também teve passagem de destaque pela TV Manchete. Em “A Marquesa de Santos”, de 1984, viveu Dom Pedro I. Dois anos depois, interpretou Antônio Sampaio em “Dona Beija”.
Além do trabalho diante das câmeras, Gracindo Jr. construiu uma carreira importante como diretor. No teatro, estreou na função em 1976, com “A Longa Noite de Cristal”.
Na televisão, participou da supervisão e direção de novelas e esteve envolvido em produções como “Memórias de Amor” e “Marron Glacê”. Também trabalhou na produção dos primeiros videoclipes exibidos pelo “Fantástico”.
Em 1983, assumiu a direção de “Os Trapalhões”, ampliando sua atuação nos bastidores de um dos programas mais populares da televisão brasileira.
No cinema, participou de produções como “Os Homens que Eu Tive”, “Os Trapalhões na Serra Pelada”, “A Floresta das Esmeraldas”, “Bufo & Spallanzani”, “A Selva” e “Primo Basílio”.
A relação com Paulo Gracindo também inspirou um trabalho nos palcos. Em 1980, escreveu e atuou na peça “Paulo Gracindo, Meu Pai”, criada em homenagem à trajetória do ator.
Ao longo da carreira, Gracindo Jr. transitou por diferentes linguagens e funções, atuando no rádio, no teatro, no cinema e na televisão.
Sua trajetória ficou especialmente ligada à evolução da teledramaturgia brasileira, desde os primeiros anos da TV Globo até produções exibidas já no século 21.
*Da Agência Fonte Exclusiva








