Macaé, no Norte Fluminense, registrou o segundo feminicídio em um intervalo de nove dias. Karollen de Souza Lopes, de 34 anos, morreu após ser atacada a facadas na segunda-feira, 10 de agosto, dentro de uma residência na Rua Vitória da Conquista, na comunidade das Malvinas. O caso está sob investigação da 123ª Delegacia de Polícia de Macaé.
Segundo informações da Polícia Civil divulgadas após o crime, Karollen havia encerrado um relacionamento de aproximadamente 13 anos cerca de dois meses antes do ataque. O ex-companheiro, de 36 anos, é apontado como principal investigado. A apuração indica que ele não aceitava o término e procurava a vítima na tentativa de retomar a relação.
De acordo com a investigação, o homem foi até a residência de Karollen por volta das 13h. Após uma discussão relacionada ao fim do relacionamento, ele teria pegado uma faca na cozinha e atacado a ex-companheira. A vítima sofreu diversos ferimentos, principalmente nas regiões do tórax e do abdômen.
Karollen ainda foi socorrida e encaminhada ao Hospital Público de Macaé (HPM), mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. A Polícia Militar havia sido acionada por volta das 13h45, após receber a informação de que uma mulher ferida por golpes de faca tinha dado entrada na unidade hospitalar.
Filhas estavam na residência
O crime ocorreu diante de familiares. Segundo a Polícia Civil, quatro filhas menores do antigo casal, com idades de 11, 7, 4 e 1 ano, estavam dentro da residência no momento do ataque. Karollen era mãe de cinco filhos ao todo.
A irmã da vítima também estava no imóvel e tentou impedir as agressões. Conforme as informações repassadas pela Polícia Civil, ela acabou sendo agredida durante a tentativa de intervenção, mas conseguiu deixar a casa e pedir ajuda.
A faca apontada como utilizada no crime foi encontrada e apreendida. Testemunhas também relataram à polícia episódios anteriores de agressões físicas e verbais durante o relacionamento. De acordo com informações divulgadas após o feminicídio, não havia medida protetiva em vigor em favor de Karollen contra o ex-companheiro.
Karollen tentava reconstruir a vida
Informações obtidas pelo Clique Diário apontam que Karollen havia deixado, cerca de dois meses antes do crime, a residência onde vivia com o ex-companheiro. Ela permaneceu na comunidade das Malvinas, mas passou a morar em outro imóvel enquanto tentava reconstruir a vida.
Karollen era marisqueira e participava de iniciativas ligadas a famílias da pesca artesanal. Recentemente, também havia começado a trabalhar como sushiman em um restaurante de Macaé, buscando ampliar a renda e conquistar maior independência financeira.
A vítima também era atendida pelo Projeto CORDA, iniciativa que atua com pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social em Macaé. Após a morte, o projeto prestou homenagem a Karollen nas redes sociais.
Suspeito pode ter sido morto, mas informação não está confirmada
Uma nova linha de investigação surgiu após o feminicídio. Na noite de terça-feira, 11 de agosto, a Polícia Civil informou que apurava relatos de que o principal investigado poderia ter sido morto por terceiros na própria comunidade depois do assassinato de Karollen. A hipótese, porém, não havia sido confirmada oficialmente.
Segundo a 123ª DP, as informações sobre o possível paradeiro do homem continuam sendo apuradas. A delegacia informou ainda que a investigação do feminicídio estava em fase de conclusão, com previsão de indiciamento do investigado e representação pela decretação da prisão preventiva.
Até a atualização mais recente localizada para esta reportagem, a Polícia Civil tratava a suposta morte do investigado apenas como uma das linhas de investigação, sem confirmação.
Segundo feminicídio em nove dias
A morte de Karollen ocorreu apenas nove dias depois de outro feminicídio que provocou forte repercussão em Macaé.
Em 1º de agosto, Tuani Maia Nascimento, de 33 anos, foi morta a facadas dentro do estabelecimento comercial onde trabalhava, na Avenida Rui Barbosa. O ex-companheiro é apontado como autor do crime.
No caso de Tuani, havia uma medida protetiva em vigor contra o ex-companheiro. Após o ataque, o homem tentou tirar a própria vida, foi socorrido para o HPM e permaneceu internado sob custódia policial, segundo as informações divulgadas após o crime.
Os dois casos apresentam um ponto investigativo em comum: o rompimento dos relacionamentos. Em sessão realizada na terça-feira, 11 de agosto, vereadoras de Macaé destacaram que os antigos parceiros das duas vítimas não teriam aceitado o fim das relações. A Câmara Municipal passou a discutir novas medidas de enfrentamento à violência contra a mulher.
Casos levam violência contra a mulher ao debate na Câmara
A sequência de feminicídios chegou ao plenário da Câmara Municipal de Macaé. Os vereadores aprovaram a realização de uma audiência pública para discutir medidas contra a misoginia e a violência contra as mulheres. O encontro está previsto para 27 de agosto, às 18h, na sede do Legislativo.
Durante a sessão, também foram debatidos mecanismos para ampliar a proteção de mulheres vítimas de violência doméstica. A situação de Tuani, que possuía medida protetiva, e a de Karollen, que não tinha a proteção judicial vigente segundo as informações divulgadas, foram citadas pelos parlamentares.
As investigações sobre o assassinato de Karollen continuam sob responsabilidade da 123ª DP. Além de esclarecer todas as circunstâncias do feminicídio, os agentes trabalham para definir o paradeiro do principal investigado e apurar a informação de que ele possa ter sido morto depois do crime.
*Da Agência Fonte Exclusiva.







