Manter os níveis de colesterol dentro dos parâmetros recomendados é uma das estratégias para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, o tema ganha destaque diante da estimativa de que cerca de quatro em cada dez brasileiros apresentam níveis elevados da substância, muitas vezes sem saber.
Apesar da associação frequente com problemas de saúde, o colesterol exerce funções importantes no organismo. O lipídio participa da formação das células, da produção de hormônios e da fabricação de ácidos biliares, que auxiliam na digestão das gorduras.
O risco surge principalmente quando há excesso de colesterol circulando no sangue, favorecendo o depósito de placas nas paredes das artérias.
Esse processo pode levar à aterosclerose e aumentar a probabilidade de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Segundo o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no país.
Os níveis de colesterol podem ser influenciados por fatores genéticos, mas também estão relacionados ao estilo de vida. Alimentação inadequada, sedentarismo e sono insuficiente estão entre os fatores que podem contribuir para alterações no perfil lipídico.
Diferenças entre LDL e HDL
Entre os indicadores mais conhecidos estão o LDL e o HDL. O LDL é popularmente chamado de colesterol “ruim” porque, quando está elevado, pode favorecer o acúmulo de gordura nas artérias e contribuir para o desenvolvimento da aterosclerose.
O HDL, por sua vez, é conhecido como colesterol “bom” e participa do transporte do excesso de colesterol para fora da circulação, desempenhando um papel diferente na saúde cardiovascular.
A avaliação, porém, não precisa se limitar aos níveis de LDL e HDL. Outros marcadores podem ajudar os profissionais de saúde a estimar o risco cardiovascular de cada pessoa.
Um deles é a apolipoproteína B (ApoB), relacionada à quantidade de partículas que podem penetrar nas paredes das artérias e contribuir para a formação de placas. De acordo com o cardiologista Vagner Ferreira, níveis elevados de ApoB podem representar um fator de risco mesmo quando o LDL apresenta valores considerados normais.
Outro marcador é a Lipoproteína(a), ou Lp(a), cuja concentração é fortemente influenciada pela genética. Diferentemente de outros fatores relacionados ao colesterol, seus níveis sofrem pouca influência de alimentação e atividade física.
Concentrações elevadas de Lp(a) estão associadas a maior risco de problemas como infarto, AVC e obstruções da válvula aórtica. Por isso, recomendações médicas indicam que adultos façam a dosagem pelo menos uma vez ao longo da vida, especialmente aqueles com histórico familiar de doença cardiovascular precoce.
Exames ajudam na prevenção
Uma das principais dificuldades no controle do colesterol é a ausência de sintomas na maioria dos casos. A pessoa pode apresentar alterações durante anos sem perceber qualquer sinal.
Por isso, exames laboratoriais são fundamentais para identificar os níveis de colesterol e outros marcadores relacionados à saúde cardiovascular. A partir dos resultados e do histórico individual, o profissional de saúde pode avaliar a necessidade de mudanças no estilo de vida, acompanhamento ou tratamento.
Pessoas idosas, com sobrepeso ou obesidade, diabetes ou que fumam devem ter atenção especial aos fatores de risco cardiovascular. O mesmo vale para quem possui familiares que tiveram doenças cardiovasculares precocemente.
No caso de Lp(a) elevada, a atenção aos demais fatores de risco ganha ainda mais importância, já que atualmente não existe uma terapia específica destinada exclusivamente à redução desse marcador.
Como o colesterol elevado pode evoluir de forma silenciosa, manter consultas e exames periódicos pode ajudar na identificação precoce das alterações. A avaliação individualizada é importante para definir as medidas mais adequadas de prevenção e tratamento e reduzir o risco de complicações cardiovasculares.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








