Uma hora de treino não compensa automaticamente um dia inteiro de pouca movimentação. Mesmo quem frequenta a academia, caminha ou pratica alguma modalidade esportiva pode continuar exposto aos efeitos negativos de permanecer sentado por períodos prolongados.
Essa situação é conhecida popularmente como “sedentarismo silencioso”. Ela ocorre quando a pessoa realiza exercícios em determinados momentos, mas passa grande parte da rotina com baixo gasto de energia.
Tecnicamente, esse padrão recebe o nome de comportamento sedentário. O conceito inclui o tempo em que o indivíduo permanece acordado, sentado, reclinado ou deitado, sem realizar movimentos suficientes para elevar de maneira significativa o consumo energético.
Comportamento sedentário não é inatividade física
Embora sejam frequentemente tratados como sinônimos, comportamento sedentário e inatividade física representam situações diferentes.
A inatividade física ocorre quando a pessoa não alcança a quantidade semanal recomendada de exercícios. Já o comportamento sedentário está relacionado ao excesso de tempo parado durante o dia.
Dessa forma, alguém pode cumprir a meta de exercícios e ainda permanecer oito ou dez horas sentado no trabalho, no transporte ou em casa.
Também pode acontecer o contrário: a pessoa está matriculada em uma academia, mas realiza pouco esforço ou permanece em atividade por um período insuficiente para atingir a recomendação semanal.
Adultos devem cumprir meta semanal
A recomendação para adultos é realizar entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana.
Outra possibilidade é acumular de 75 a 150 minutos de exercícios intensos durante o mesmo período.
A rotina também deve incluir atividades voltadas ao fortalecimento muscular.
Cumprir essas metas contribui para a saúde, mas não elimina a importância de reduzir os longos intervalos de imobilidade ao longo do dia.
Atividade física vai além da academia
O profissional de Educação Física Welton Godinho explica que qualquer movimento capaz de aumentar o gasto de energia pode ser considerado atividade física.
Caminhar, subir escadas, realizar tarefas domésticas ou utilizar a bicicleta como meio de transporte são exemplos de movimentos que ajudam a tornar a rotina mais ativa.
O exercício físico, por outro lado, é uma atividade planejada, organizada e realizada com objetivos específicos, como melhorar a força, a resistência ou o condicionamento.
A diferença mostra que o movimento diário não precisa estar restrito a academias ou treinos estruturados.
Pausas ajudam a reduzir tempo parado
Uma das principais orientações é interromper regularmente os períodos prolongados na mesma posição.
Levantar-se entre uma tarefa e outra, caminhar por alguns minutos, alongar o corpo e realizar exercícios de mobilidade são medidas simples que podem ser incorporadas ao trabalho e às atividades domésticas.
Durante ligações telefônicas, por exemplo, é possível permanecer em pé ou caminhar. Também pode ser útil estacionar um pouco mais longe, escolher as escadas e aproveitar pequenos deslocamentos para aumentar o número de passos.
Essas mudanças não substituem os exercícios regulares, mas ajudam a distribuir o movimento ao longo do dia.
Longos períodos sentado afetam a saúde
Permanecer muitas horas com pouca movimentação está associado a maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, ganho de peso e outros problemas crônicos.
O comportamento sedentário também pode afetar a saúde mental e prejudicar a qualidade do sono.
Os riscos podem existir mesmo entre pessoas que realizam algum exercício. Por esse motivo, a recomendação é combinar uma programação regular de treinos com uma rotina menos parada.
Movimento deve fazer parte do cotidiano
A prevenção não depende apenas de reservar alguns dias da semana para caminhar ou frequentar a academia.
O corpo precisa ser movimentado também nos intervalos entre essas atividades. Pequenas ações repetidas ao longo do dia ajudam a diminuir o tempo total de imobilidade.
A proposta é substituir parte dos períodos sentados por oportunidades de ficar em pé, caminhar ou realizar movimentos leves.
Pessoas com doenças crônicas, limitações físicas ou histórico de problemas cardíacos devem buscar orientação profissional antes de iniciar ou modificar uma rotina de exercícios.
O equilíbrio está em cumprir as metas semanais e, ao mesmo tempo, evitar que o restante do dia seja marcado por longas horas sem movimento.
*Da Agência Fonte Exclusiva








