Problemas que atingem o cérebro e o sistema nervoso já afetam aproximadamente dois em cada cinco habitantes das Américas.
Cerca de 470 milhões de pessoas convivem com condições como enxaqueca, acidente vascular cerebral, epilepsia, Alzheimer e outras doenças neurológicas.
A estimativa faz parte de um estudo conduzido por pesquisadores da Organização Pan-Americana da Saúde. O trabalho analisou 19 condições neurológicas não transmissíveis ou relacionadas a lesões em 38 países e territórios.
As informações avaliadas abrangem o período entre 1990 e 2023, permitindo acompanhar as mudanças ocorridas na região ao longo de mais de três décadas.
Envelhecimento amplia número de pacientes
As taxas de mortalidade relacionadas às doenças neurológicas diminuíram no período analisado. Apesar desse avanço, o número total de pessoas afetadas continuou aumentando.
Um dos principais motivos é o envelhecimento da população. Com mais pessoas chegando às faixas etárias avançadas, cresce a ocorrência de doenças neurodegenerativas e a necessidade de acompanhamento prolongado.
Esse cenário também amplia a procura por serviços de diagnóstico, tratamento, reabilitação e apoio aos familiares e cuidadores.
Enxaqueca lidera incapacidade entre adultos
Entre a população adulta, a enxaqueca foi identificada como a principal causa de incapacidade neurológica.
A condição pode comprometer o trabalho, os estudos, a convivência social e a realização de atividades cotidianas, mesmo quando não provoca morte.
Entre os idosos, o maior impacto está relacionado ao Alzheimer, a outras formas de demência e ao acidente vascular cerebral.
Essas doenças podem provocar perda de autonomia, alterações cognitivas, limitações físicas e dependência de cuidados contínuos.
Perfil das doenças está mudando
O estudo mostra que a carga das condições neurológicas não está associada apenas às mortes prematuras.
Um número crescente de pessoas permanece durante anos convivendo com consequências físicas, mentais e sociais provocadas pelas doenças.
Essa mudança exige que os sistemas de saúde ofereçam não somente atendimento emergencial, mas também acompanhamento contínuo e suporte para preservar a qualidade de vida.
A reabilitação, o acesso a medicamentos e a assistência às pessoas com deficiência passam a ocupar um papel cada vez mais importante.
Pressão alta aumenta risco de AVC
Parte dos problemas neurológicos pode ser evitada ou ter seus impactos reduzidos por meio do controle de fatores de risco modificáveis.
A pressão arterial elevada foi apontada como o principal fator associado aos diferentes tipos de acidente vascular cerebral.
Manter a hipertensão sob controle pode diminuir a possibilidade de lesões cerebrais e de sequelas provocadas pelo AVC.
O acompanhamento médico, o uso correto dos medicamentos e a adoção de hábitos mais saudáveis são medidas importantes para reduzir esse risco.
Glicose elevada afeta saúde cerebral
Altos níveis de glicose no sangue também foram relacionados ao impacto do Alzheimer e de outras demências.
O controle do diabetes e o acompanhamento regular das taxas de açúcar podem contribuir para a proteção da saúde neurológica.
A prevenção precisa ocorrer antes do surgimento dos primeiros sinais de comprometimento cognitivo.
Quando doenças como o Alzheimer começam a apresentar sintomas evidentes, parte das alterações no cérebro pode já estar em desenvolvimento há algum tempo.
Hábitos ajudam a proteger o cérebro
A prática regular de atividade física está entre as medidas recomendadas para preservar a saúde do sistema nervoso.
Uma alimentação equilibrada, o abandono do cigarro e a redução do consumo de bebidas alcoólicas também ajudam a diminuir fatores associados às doenças crônicas.
O controle da hipertensão e do diabetes deve fazer parte dessa estratégia.
A manutenção da convivência social também é importante. Relações familiares, amizades, atividades coletivas e estímulos intelectuais podem contribuir para preservar funções cognitivas durante o envelhecimento.
Parte do risco de demência pode ser reduzida
Diretrizes internacionais indicam que até 45% do risco de desenvolvimento de demência pode estar relacionado a fatores que podem ser modificados ao longo da vida.
Isso não significa que todos os casos sejam evitáveis. Idade, genética e outros aspectos não controláveis também influenciam o surgimento dessas condições.
Ainda assim, a redução dos riscos modificáveis pode atrasar o aparecimento da doença, diminuir seu impacto ou preservar a autonomia por mais tempo.
Por esse motivo, os cuidados com o cérebro não devem começar apenas na terceira idade.
Sistemas de saúde enfrentam novo desafio
Os pesquisadores defendem a inclusão da saúde neurológica nas estratégias de prevenção e controle das doenças crônicas.
A proposta envolve ampliar o diagnóstico precoce, garantir tratamento adequado e oferecer serviços de reabilitação às pessoas que apresentam limitações.
Também será necessário fortalecer o apoio aos pacientes, familiares e cuidadores, principalmente nos casos que exigem assistência de longa duração.
Com o crescimento da população idosa, a demanda por esses serviços tende a aumentar em todos os países da região.
Prevenção deve começar antes dos sintomas
No Brasil, especialistas alertam que o cuidado precisa ser adotado mesmo quando não existem sinais aparentes de doenças neurológicas.
Consultas periódicas e o controle de fatores como pressão alta, diabetes, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool podem ajudar a preservar a saúde cerebral.
A adoção precoce de hábitos saudáveis também pode reduzir limitações futuras e favorecer um envelhecimento com maior independência.
Diante de uma população que vive cada vez mais, o desafio não é apenas aumentar os anos de vida, mas garantir que esse período seja acompanhado de autonomia, bem-estar e proteção das funções neurológicas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








