Decisão unânime transforma a legenda trabalhista no primeiro partido a formalizar apoio ao presidente e fortalece articulações estaduais, especialmente no Rio Grande do Sul
O PDT abriu oficialmente a temporada de definições partidárias para as eleições de 2026 ao aprovar o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada por unanimidade durante a Convenção Nacional Partidária e Eleitoral da legenda, realizada na sede do partido, em Brasília.
O encontro reuniu integrantes do Diretório Nacional, lideranças políticas, representantes de outras siglas e militantes. Lula participou da convenção e discursou aos presentes, destacando a defesa da democracia, da soberania nacional e das políticas públicas como temas centrais da próxima campanha.
Segundo a direção do PDT, a legenda foi o primeiro partido nacional a formalizar apoio ao presidente para a disputa deste ano. A decisão também representa o retorno dos pedetistas a uma coligação presidencial liderada pelo PT ainda no primeiro turno, situação que não ocorria desde a eleição de 2014.
Aliança entre esquerda e centro-esquerda
Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi afirmou que a escolha não está condicionada à obtenção de ministérios ou outros espaços no governo. De acordo com o dirigente, a aliança pretende reunir partidos de esquerda e centro-esquerda em torno de um projeto comum para o país.
Durante seu pronunciamento, Lupi recuperou a relação histórica entre as duas legendas, mencionando o apoio de Leonel Brizola a Lula no segundo turno de 1989 e a participação do líder trabalhista como candidato a vice-presidente na chapa petista de 1998.
Lula agradeceu o apoio e defendeu uma campanha baseada na preservação das instituições democráticas. O presidente também citou a educação pública e as escolas de tempo integral como instrumentos para reduzir desigualdades, fazendo referência ao projeto dos Centros Integrados de Educação Pública, os Cieps, implantado durante os governos de Brizola no Rio de Janeiro.
Carlos Lupi voltou à presidência nacional do partido após deixar o Ministério da Previdência, em maio de 2025, durante a crise provocada pelas investigações sobre descontos associativos irregulares em benefícios do INSS. O ex-ministro negou envolvimento nas irregularidades e declarou posteriormente que não foi omisso diante das denúncias apresentadas durante sua gestão.
Acordo nacional fortalece palanques estaduais
Além do posicionamento presidencial, a convenção definiu a nova composição do Diretório Nacional do PDT. Juliana Brizola, candidata ao governo do Rio Grande do Sul, foi escolhida para uma das vice-presidências da legenda.
A aliança nacional entre PDT e PT também fortalece a composição construída no estado gaúcho. Juliana encabeça uma frente formada por partidos de esquerda e centro-esquerda, enquanto o petista Edegar Pretto deverá disputar o cargo de vice-governador.
Pesquisa do Real Time Big Data divulgada em junho mostrou Juliana Brizola com 37% das intenções de voto, diante de 32% do deputado federal Luciano Zucco, do PL. O levantamento ouviu 1.600 eleitores e apresentou margem de erro de dois pontos percentuais.
A convenção nacional do PT está marcada para 2 de agosto, em São Paulo. Na ocasião, a legenda deverá homologar Lula como candidato à reeleição e Geraldo Alckmin, do PSB, como candidato a vice-presidente.
O calendário eleitoral permite que partidos e federações realizem suas convenções entre 20 de julho e 5 de agosto. Nesses encontros, são escolhidos os candidatos e definidas as coligações para os cargos majoritários.
*Da Agência Fonte Exclusiva







