O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro anunciou a retirada de sua candidatura ao Senado Federal. Em pronunciamento divulgado nesta quinta-feira, 28 de maio, Castro afirmou que tomou a decisão para se dedicar integralmente à própria defesa e à família, em meio a processos e investigações que atingem sua trajetória política.
Na fala, o ex-governador disse que os últimos dias foram “muito difíceis” e afirmou que sua família viveu momentos de dor, exposição e, segundo ele, “mentiras” e “meias verdades”. Castro declarou que a decisão de sair da disputa eleitoral foi a mais difícil de sua vida pública, mas necessária para concentrar esforços na defesa jurídica.
“Resolvi retirar a minha candidatura ao Senado Federal para que eu possa me focar completamente na minha defesa”, afirmou no pronunciamento.
Castro também disse confiar que os fatos serão esclarecidos. Segundo ele, seus advogados já apresentaram defesa em um dos casos e devem protocolar uma nova petição até a próxima terça-feira. O ex-governador afirmou que pretende explicar “qual é o papel do governador” e quais seriam os limites de atuação do chefe do Executivo em determinadas decisões administrativas.
A retirada da candidatura ocorre em um momento de forte pressão política e jurídica. Em março, o Tribunal Superior Eleitoral declarou Cláudio Castro inelegível por oito anos, a contar das eleições de 2022, ao reconhecer abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos na campanha daquele ano. A decisão foi tomada por 5 votos a 2.
Segundo a Agência Brasil, o TSE também registrou que Castro afirmou que apresentaria recurso contra a decisão. Com a condenação, o ex-governador ficou impedido de disputar eleições até 2030, salvo eventual reversão judicial.
Antes do anúncio de desistência, Castro ainda tentava manter viável sua candidatura ao Senado. No fim de abril, a Veja informou que o ex-governador havia recorrido ao TSE para tentar reverter a decisão de inelegibilidade. O processo envolve contratações temporárias na Fundação Ceperj e na Uerj, que, segundo o Ministério Público Eleitoral, teriam sido usadas politicamente na campanha de 2022.
No pronunciamento, Castro negou irregularidades e afirmou não ter “a menor dúvida da lisura” dos atos de sua gestão. Ele também disse que não encerra sua vida política, mas que dá “um passo necessário” diante do momento.
“Eu não encerro minha vida política aqui, somente dou um passo necessário, com humildade, com tranquilidade, com a certeza de estar fazendo o correto”, declarou.
A saída de Castro da disputa muda o cenário político no Rio de Janeiro. O ex-governador era tratado como um dos nomes do PL para a eleição ao Senado em 2026, mas acumulava desgaste após a condenação no TSE, questionamentos jurídicos e novas pressões políticas no campo eleitoral.
Agora, o ex-governador afirma que pretende se concentrar na defesa técnica, na preservação da família e na tentativa de reconstruir sua versão dos fatos. A definição sobre o futuro político de Castro dependerá dos próximos passos da Justiça Eleitoral e dos demais processos em andamento.
*Da Agência Fonte Exclusiva







