A China intensificou os investimentos e pesquisas em interfaces cérebro-computador, conhecidas como BCIs, sigla em inglês para Brain-Computer Interfaces.
A nova geração de dispositivos utiliza inteligência artificial para interpretar sinais cerebrais e transformá-los em comandos digitais, com potencial para revolucionar tratamentos de pessoas com paralisia e doenças neurológicas.
De acordo com informações divulgadas pela revista científica Nature nesta terça-feira (19), empresas chinesas já realizam testes clínicos em humanos e aceleram a corrida tecnológica global nesse segmento.
O objetivo é transformar tecnologias ainda experimentais em soluções capazes de devolver movimentos, comunicação e autonomia a pacientes.
Os implantes funcionam por meio de sensores conectados ao cérebro, responsáveis por captar sinais neurais e convertê-los em comandos para computadores, aplicativos e dispositivos eletrônicos.
Com o avanço da inteligência artificial, os sistemas passaram a apresentar maior precisão e velocidade na interpretação das informações cerebrais.
Entre as empresas que lideram as pesquisas está a NeuroXess, sediada em Xangai. Em um dos testes realizados em 2025, um paciente de 28 anos com lesão medular conseguiu controlar aparelhos eletrônicos apenas utilizando o pensamento.
A experiência permitiu que ele ligasse e desligasse dispositivos através de um cursor virtual conectado a um aplicativo.
A empresa também afirma ter desenvolvido um sistema de IA capaz de decodificar o idioma mandarim em tempo real, alcançando velocidade de aproximadamente 300 caracteres por minuto. O número supera a média de fala de um falante nativo da língua chinesa.
Segundo Tiger Tao, cofundador e cientista-chefe da NeuroXess, a tecnologia já foi utilizada em uma paciente com epilepsia para gerar palavras e frases por meio da atividade cerebral. A companhia informou que prepara publicações científicas detalhando os resultados dos testes realizados até o momento.
Especialistas avaliam que o avanço das interfaces cérebro-computador pode abrir novas possibilidades para tratamentos médicos, reabilitação neurológica e comunicação assistida. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado da tecnologia também levanta debates sobre segurança de dados neurais, ética e privacidade.
A corrida tecnológica envolvendo implantes cerebrais e inteligência artificial vem sendo disputada por empresas e centros de pesquisa de diferentes países, principalmente China e Estados Unidos, em um dos setores considerados mais promissores da inovação global.
*Da Agência Fonte Exclusiva








