O aumento dos acidentes envolvendo motocicletas, bicicletas convencionais, bicicletas elétricas e scooters em Campos dos Goytacazes motivou uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (18), na Câmara Municipal.
O encontro reuniu representantes de órgãos públicos, forças de segurança, entidades empresariais e profissionais da saúde para discutir medidas voltadas à prevenção e à melhoria da mobilidade urbana no município.
Participaram da discussão representantes da Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Secretaria de Mobilidade Urbana, além de integrantes da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e empresários locais.
Durante a audiência, dados apresentados pelo Hospital Ferreira Machado (HFM) chamaram atenção para o avanço no número de ocorrências relacionadas ao trânsito. Segundo o levantamento, os acidentes com motocicletas tiveram crescimento expressivo em comparação ao ano anterior.
Entre janeiro e abril de 2025, foram registrados 860 casos. Já no mesmo período de 2026, o número chegou a 1.634 ocorrências.
Os acidentes envolvendo bicicletas também apresentaram alta significativa. Enquanto nos primeiros quatro meses de 2025 foram contabilizados 324 registros, neste ano o número subiu para 724 casos.
Os atendimentos ligados a acidentes ciclísticos também aumentaram mês após mês no HFM. Em janeiro deste ano, a unidade registrou 128 atendimentos. Em fevereiro foram 157 casos, março contabilizou 239 ocorrências e abril fechou com 200 atendimentos.
A direção do hospital informou ainda que está desenvolvendo um sistema de separação estatística entre acidentes com bicicletas comuns e elétricas, já que esse tipo de ocorrência vem crescendo na cidade.
Outro dado apresentado durante a audiência foi o número de mortes relacionadas ao trânsito. Entre janeiro e abril deste ano, 33 pessoas morreram no Hospital Ferreira Machado em decorrência de acidentes. O levantamento não inclui vítimas fatais que não chegaram a ser encaminhadas para a unidade.
O superintendente do HFM, Guilherme Ribeiro, destacou os impactos diretos da alta demanda sobre a estrutura hospitalar. Segundo ele, mesmo com a ampliação do pronto-socorro, o hospital vem enfrentando superlotação desde março.
“Atualmente, a unidade trabalha acima da capacidade, especialmente na área ortopédica. O volume de cirurgias de urgência e internações aumentou consideravelmente”, explicou.
O médico ortopedista e diretor do pronto-socorro do HFM, Fábio Macedo, ressaltou que a imprudência no trânsito segue sendo uma das principais causas dos acidentes registrados na cidade.
“Os profissionais de saúde convivem diariamente com as consequências desses acidentes. Precisamos ampliar o debate sobre fiscalização, conscientização e responsabilidade no trânsito”, afirmou.
Ao longo da audiência, representantes dos órgãos presentes defenderam campanhas educativas, reforço na fiscalização e criação de estratégias para tornar o trânsito mais seguro tanto para motoristas quanto para ciclistas e pedestres.
*Da Agência Fonte Exclusiva








