O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) determinou a cassação do mandato do vereador de Casimiro de Abreu, Igor Gadelha, e de seu assessor Glauco Pereira, por captação ilícita de sufrágio (compra de votos). Na mesma decisão, o TRE-RJ aponta que o processo deve retornar à primeira instância para a inclusão do prefeito Ramon Gidalte (PL) e do vice, Marcos Frese Miller (Republicanos), o Marquinhos da Vaca Mecânica, no polo passivo da ação, pois também teriam sido beneficiários das práticas investigadas.
A sentença ressalta que foram apreendidos materiais de campanha que vinculam o vereador, o prefeito e o vice, além de lista de eleitores e quantia em dinheiro no dia das eleições. Com a ampliação da investigação, caso restem comprovadas as acusações de compra de votos contra o prefeito e o vice, ambos poderão ter os mandatos cassados, o que deverá resultar na convocação de novas eleições para o comando do Executivo municipal.
Em vídeo, o ex-prefeito e adversário político, Antônio Marcos, destaca justamente essa possibilidade: “Se for comprovada a compra de votos também para o prefeito e o vice, eles podem ser cassados e uma nova eleição será necessária para a escolha de prefeito e vice em Casimiro de Abreu”.
O acórdão do TRE-RJ detalha que o retorno do processo à origem permitirá aprofundar a apuração das acusações contra os integrantes da chapa majoritária, reforçando que a existência de material de campanha dos três envolvidos e os indícios apresentados são suficientes para dar prosseguimento à ação.
Com a abertura dessa possibilidade, o cenário político de Casimiro de Abreu pode ser remodelado em breve, a depender do andamento da investigação na Justiça Eleitoral.
Entenda o caso
Durante o período eleitoral em Casimiro de Abreu, o flagrante da compra de votos ocorreu a partir de uma denúncia anônima recebida pelo cartório eleitoral, relatando que um indivíduo em uma motocicleta branca modelo PCX estaria praticando a compra de votos no centro da cidade, em frente ao Banco do Brasil, com pagamento em dinheiro.
Com base nessas informações detalhadas (inclusive com foto do suspeito), a equipe de fiscalização do TRE-RJ, acompanhada pelo Ministério Público Eleitoral e pelo juiz eleitoral, realizou uma campana no local indicado no próprio dia da eleição, durante o horário de votação.
Ao abordar Glauco Pereira da Penha, assessor e liderança de campanha do então vereador Pedro Igor Gadelha, foram encontrados em sua posse R$ 2.400 em espécie (notas de 50 e 100 reais), uma lista manuscrita contendo nome completo, número do título de eleitor, zona e seção de votação de 14 eleitores (com todos domiciliados no município), além de 313 “santinhos” de campanha do candidato a vereador e dos candidatos da chapa majoritária (prefeito e vice).
A motocicleta utilizada era de propriedade da esposa do candidato, e todos os materiais de campanha estavam guardados no compartimento do veículo. O assessor apresentou justificativas consideradas inverossímeis, alegando que o dinheiro se destinava a uma aposta sobre o resultado da eleição — explicação rejeitada pela Justiça diante da fragilidade e dos indícios reunidos.
A preparação desses materiais, a preocupação em preservar a lista e a relevância dos valores apreendidos em espécie apontaram para o oferecimento de vantagem ilícita em troca de votos, configurando, segundo o TRE-RJ, a prática de captação ilícita de sufrágio.
O flagrante detalhado do caso reforça a gravidade da denúncia e serve de base para a extensão da investigação contra o prefeito e o vice, ampliando, portanto, o impacto e a possibilidade de novas eleições no município.
*Com reportagem da Agência Fonte Exclusiva.







