As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras de madeira processada, em vigor desde o início de agosto, já impactam fortemente a indústria nacional. O setor, que não foi contemplado na lista de 694 produtos isentos, começou a sentir os efeitos ainda em abril, quando a tarifa inicial de 10% foi aplicada. As informações são da CNN.
De acordo com a Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), aproximadamente 1,4 mil trabalhadores entraram em férias coletivas e outros 100 já foram demitidos desde julho. A entidade alerta que até 180 mil empregos diretos estão em risco no país.
O caso mais emblemático é o da Millpar, segunda maior empresa do setor no Brasil. No final de julho, a companhia suspendeu integralmente a produção em sua unidade de Guarapuava (PR), colocando 720 dos 1,1 mil funcionários em férias coletivas por tempo indeterminado.
Segundo Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci, a estratégia de férias coletivas já vinha sendo adotada desde a primeira alta tarifária. “Se o cenário não mudar, as empresas terão de recorrer a cortes de pessoal para equilibrar as contas”, afirmou.
O Paraná concentra a maior parte da produção e exportação de madeira processada para os EUA, com 6,7 mil empresas ativas e 109 mil empregos. A madeira é, inclusive, o principal produto de exportação do estado ao mercado norte-americano. “A cadeia produtiva é ampla e impacta diversos setores, inclusive a agroindústria”, explicou Ailson Loper, diretor-executivo da Apre (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal).
Além da tarifa, os EUA abriram uma investigação comercial contra o Brasil, alegando falhas no combate ao desmatamento ilegal. Representantes da indústria brasileira defendem, porém, que mais de 95% da madeira exportada pelo Sul do país provém de florestas plantadas, em conformidade com as normas internacionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na semana passada, uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para socorrer empresas atingidas. Para Loper, no entanto, a medida é apenas paliativa. “O verdadeiro caminho para resolver a crise é a renegociação da tarifa”, destacou.
Segundo especialistas, o setor tem dificuldade em buscar novos mercados devido à personalização da produção para os EUA. Produtos como os mouldings (molduras de madeira) são desenvolvidos exclusivamente para atender às demandas norte-americanas, sem alternativa comercial viável em outros países.
Da Agência Fonte Exclusiva.








